terça-feira, 28 de abril de 2009

TERRORES NOCTURNOS VERSUS PESADELOS

TERRORES NOCTURNOS
Venske & Silveira (2005) definem os terrores nocturnos como um distúrbio caracterizado por despertar abrupto que pode ser iniciado por um grito de pânico, choro ou vocalizações incoerentes. A criança pode estar sentada na cama, com uma expressão aterrorizada apresentando sinais de ansiedade (taquicardia, respiração rápida, rubor cutâneo, sudorese, dilatação das pupilas, tónus muscular aumentado).

As primeiras vezes que os pais se confrontam com um episódio de terrores nocturnos são assustadoras, uma vez que observam o seu filho a acordar em sobressalto, uma ou duas horas após ter adormecido, com sinais de agitação, muitas vezes a gritar de olhos abertos, com o olhar fixo e movimentos descoordenados, sem responder aos seus apelos para se acalmar, o que deixa os pais extenuados e perturbados, sem saber como agir.
Quando o episódio termina, a criança volta a adormecer e não se recorda do que se passou.

Muitas vezes, os terrores nocturnos estão relacionados com algo assustador ou invulgar que ocorreu durante o dia, ou ainda, relacionados com mudanças importantes na vida da criança, tais como entrada no infantário, nascimento de um irmão, ausência de um dos pais, entre outros.

O que fazer perante um episódio de terror nocturno?

1.
Não tente acordar a criança, uma vez que esta não a irá ouvir e poderá, inclusivamente ficar mais agitada se se intrometer no terror (normalmente o episódio demora entre 1-10 minutos);

2. Deixe-a no berço/cama, assegurando-se que esta se encontra segura (por vezes fica de tal modo agitada que poderá cair da cama;

3. Não fale sobre o assunto no dia seguinte, uma vez que a criança não se recorda do episódio;

4. Reduza as situações de tensão durante o dia da criança;

5. Estabeleça uma boa rotina de sono, evitando a fadiga;

6. Com o passar dos anos os terrores acabam por diminuir e tal como apareceram desaparecem espontaneamente.


Os terrores nocturnos e os pesadelos são a mesma coisa?
Não. Enquanto os terrores nocturnos surgem mais no princípio da noite (em que os períodos de sono profundo são mais longos), os pesadelos são um fenómeno do sono superficial (sono REM), e por isso ocorrem mais na segunda metade da noite ou quando a manhã se aproxima (quando aumentam os períodos de sono REM).

Por outro lado, nos terrores nocturnos o despertar acontece no início do episódio, enquanto nos pesadelos a criança acorda a meio ou no final, quando a tensão causada pelo conteúdo assustador do sonho se torna demasiado intensa. Ao acordar de um pesadelo a criança rapidamente fica orientada e desperta, consegue descrever o conteúdo do sonho e deixa-se tranquilizar pelos pais (em contraste com os terrores nocturnos em que se mantém confusa e agitada, sem que nada a acalme, esquecendo o episódio logo que retoma o sono).

PESADELOS
Os pesadelos mais frequentes nas crianças de 2 ou 3 anos incluem a perda ou perigo. Os “monstros” muitas vezes são a causa do pesadelo no entanto a separação dos pais também é problemática. Nas crianças dos 4 aos 6 anos as tensões saudáveis como o lidar com os seus novos sentimentos de agressividade podem ser acompanhados de medos e pesadelos. Novos medos podem surgir durante o dia tais como abelhas, aranhas, elevadores, ruídos estridentes (trovão, sirenes, o ladrar dos cães, etc.) muitas vezes transportados para a noite como pesadelos (Brazelton & Sparrow, 2007).

Nas crianças com idade inferior a 5/6 anos os pesadelos são mais perturbadores pois a criança não entende que o sono não é real. A partir dos 5/6 anos a criança começa a perceber a diferença entre sonho e realidade, no entanto nesta idade, as crianças ainda precisam de acreditar no lado positivo dos seus “ bons” sonhos. Por isso, não se pode esperar que deixem de acreditar nos “sonhos maus” (Brazelton & Sparrow, 2007).

A criança assustada por um pesadelo acorda por completo e, se já sabe falar, consegue dizer algumas das coisas que se passaram no sonho. Outras vezes, não se recorda do pesadelo no entanto não se esquece daquilo que a fez sentir. A criança implora conforto, e é capaz de se agarrar aos pais, com medo de voltar adormecer sozinha. Pode levar algum tempo a acalmá-la. (Brazelton & Sparrow, 2007).

Lidar com os pesadelos (Brazelton & Sparrow, 2006):

A hora de dormir:
1. Sentar-se junto da criança, explicando o que a preocupa.
2. Aceitar os receios da criança e a necessidade de se agarrar aos pais.
3. Recordar a criança formas para se confortar, desviando o pensamento para coisas boas.
4. Deixar uma luz de presença no quarto.
5. Encorajar e aceitar o uso de objectos de conforto (ursinho, uma boneca ou cobertor preferido) como companhia e forma de afastar todos os medos.
6. Contar histórias que ajudam a compreender os medos e sentimentos vivenciados de forma indirecta.
7. Quando a criança recorre a cama dos pais, depois de um pesadelo, deve-se acalmá-la e posteriormente levá-la de volta a cama dela. Esta transição pressupõem aconchego e conforto durante alguns minutos no seu quarto.

Durante o dia:
1. Ajudar a criança a certificar-se de que não existem fantasmas nem monstros debaixo da cama nem dentro do armário.
2. Ajudar a criança a entender os sentimentos descontrolados durante o dia que ocorreram durante o pesadelo.
3. Explicar e dar informações simples, claras, credíveis em termos que ela possa entender acerca dos acontecimentos da vida familiar que possam estar a perturbá-la.
4. Evitar filmes, programas de televisão, jogos de computador que possam ser violentos e provocar medo ou incompreensão do assunto por parte da criança.

_______________________________________ Vânia Coimbra

Bibliografia
BRAZELTON, T.; SPARROW, D. – A Criança e o Sono: o método Brazelton. 4ª ed: Editorial, 2007. ISBN: 972-23-3187.
FERRÃO, Ana (www.medicoassistente.com/modules/smartsection/makepdf.php?itemid=98)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Preparação do biberão

A preparação do biberão requer alguns cuidados importantes que convém ter em consideração. Esta postagem aponta alguns deles.

1 - Cuidados de higiene
Seja muito rigoroso(a) quanto ao cumprimento de algumas regras de higiene. A verdade é que os bebés ainda não estão habituados aos germes!
- Antes de preparar o biberão lave cuidadosamente as suas mãos;
- O biberão e a respectiva tetina e a colher doseadora devem estar esterilizados. Se não tiver estes cuidados a contaminação por microorganismos pode provocar doenças ao seu bebé;

- Quando terminar a refeição do bebé lave com água corrente todos os utensílios utilizados e esterilize-os.

Métodos para esterilização

1 - Fervura: os biberões, as tetinas, a colher doseadora e restantes utensílios são emergidos em água, numa panela útilizada só para o efeito, entre 10 a 20 minutos. Tenha em atenção que não se deve observar bolhas de ar dentro dos biberões, uma vez que isso pode comprometer o processo.

2 - Esterilização a vapor: em aparelho apropriado. Os utensílios a esterilizar são envoltos em vapor de água a uma temperatura de 95 a 97ºC;

3 - Esterilização a vapor no micro-ondas: num aparelho próprio para levar ao micro-ondas, os biberões e as tetinas são igualmente esterilizadas com vapor em poucos minutos.

Como preparar?
- Ferva a água durante 3 a 5 minutos (não mais do que isso, porque caso contrário a água vai-se evaporando e fica concentrada em sais que originam cólicas ao bebé). Nota: Já existem águas próprias para lactentes (ver o rótulo), as quais não necessitam de ser fervidas;
- Deixe arrefecer um pouco a água;
- Verta a quantidade correcta no biberão;
- Junte o pó à água na quantidade correcta. A quantidade total depende do peso do bebé.


Para cada 30ml de água adicione 1 colher rasa de leite em pó
Colher medida/Água
1 - 30 ml
2 - 60 ml
3- 90 ml
4 - 120 ml
5 - 150 ml
6 - 180 ml
7 - 210 ml


- Respeite sempre as quantidades de leite em pó a utilizar;
- Nunca encher a colher medidora acima da medida;
- Não pressionar o leite em pó na colher para caber mais;
- Passe as costas de uma faca limpa ou uma espátula sobre a colher medidora para tirar um eventual excesso de leite em pó.
- Se colocar maior quantidade de leite em pó do que a indicada, o leite ficará demasiado concentrado e isso prejudicará o bebé, ocasionando mais problemas gastro-intestinais. Por outro lado, se ficar menos concentrado, o seu bebé não estará a receber todos os nutrientes que devia.
- Deite algumas gotas para a superfície interior do seu pulso para verificar a temperatura do leite; o leite deverá estar morno e não quente.

Atenção:
- Ao dar o biberão, a tetina deve estar sempre repleta de leite para que o bebé não engula ar, o que irá provocar cólicas;
- O leite deverá pingar da tetina e não escorrer, para que a criança não se engasgue.
- A mãe ou o pai deverão sentar-se numa posição confortável, e manter o bebé em posição semi-sentada, com a cabeça apoiada no seu antebraço.


Olhe para a criança enquanto se alimenta.
O contacto visual reforça a ligação entre a mãe (ou pai) e a criança!


Horário e frequência das mamadas
O leite artificial requer mais tempo de digestão, por esse motivo deverá manter intervalos mínimos de 3-4 horas entre cada mamada. A quantidade de leite do biberão é variável e deve ser a que deixe a criança satisfeita e a faça ganhar peso correctamente.
A alimentação é um dos factores mais importantes para o normal crescimento e desenvolvimento da criança.

_____Teresa Margarida da Silva Santos (Enfermeira em estágio no Curso de Preparação para o Parto)

Bibliografia:
O Guia Cuidar do Bebé – Felicitas Publicidade, Portugal, 2005.
http://pt.wikipedia.org/
http://www.todopapas.com/contenidos/alimentacion/Amamentacao-com-biberao-1020.html
http://www.prenatal.pt/bebes/amamentacao/o-aleitamento-artificial/como-se-prepara-o-biberao.htm