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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Deixar a fralda (2ª parte)



Nota Introdutória
Ajudar a criança a deixar a fralda constitui uma façanha que, por norma, demora algum tempo e requer dos pais uma boa dose de paciência e bom senso.

Normalmente só a partir dos 18 meses é que a criança atinge uma fase de amadurecimento que lhe permite reconhecer que tem vontade de urinar ou defecar, controlando os esfíncteres. Até esta data, a maior parte das crianças defeca e urina de forma automática (reflexo fisiológico).

No entanto, tudo isto varia de criança para criança. Se algumas são capazes de deixar a fralda entre os 18-24 meses, outras só o conseguem mais tarde. O mais comum é que as crianças deixem a fralda entre os 18 e os 36 meses.

Deixar a fralda não se faz de um dia para o outro. A criança necessita inevitavelmente de muita ajuda e compreensão.
Ela precisa de estar atenta a uma sensação física, de forma a reter as fezes e urina até chegar ao bacio. Terá que ter consciência de que a falta de atenção lhe trará desconforto.

A melhor altura para tirar as fraldas à criança é na Primavera ou no Verão para que a criança ande com menos roupa, sendo mais fácil pô-las no bacio quando a vontade aperta. Por outro lado a criança suja menos roupa no verão que no Inverno e esta seca mais rapidamente.

Sinais que a criança dá que indicam que está na hora de iniciar o processo de deixar a fralda:

- Urina com intervalos regulares, durante os quais as fraldas se mantêm secas;

- Manifesta vontade de urinar ou defecar pelas expressões faciais ou pela posição em que se coloca (há crianças que se posicionam de cócoras a um canto, outras apresentam uma expressão facial reveladora de um esforço para puxar). Isto significa que ela está atenta a uma sensação física que lhe trará desconforto (estar suja ou molhada);

- Compreende o que são as fezes e a urina e para que serve o bacio
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Dicas para ajudar o seu filho a deixar a fralda

1 – Converse com a criança

Antes de tirar a fralda converse com o seu filho e explique-lhe o que se vai passar. Certifique-se que ele sabe bem o que é o “cocó” e o “chichi”. Na hora da muda da fralda vá-lhe falando destes conceitos (“Tens chichi na fralda”; “Fizeste muito cocó”; “A mamã vai à casa de banho fazer chichi”) para que a criança os interiorize.

Explique-lhe que ao começar a usar o bacio irá deixar a fralda e passar a usar cuecas. Mostre-lhe que os adultos também usam cuecas (eles adoram imitar os mais crescidos) e ofereça-lhe cuecas com o seu boneco preferido ou com outros motivos engraçados, podendo mesmo deixar a criança escolher as cuecas que quer usar.

Conte-lhe uma história na qual a criança deixa a fralda e começa a ir ao bacio (por ex. da colecção Matilde – Vasco, este é o bacio!!!)


2 – O tempo que passa no bacio

Quando se começa a treinar as idas ao bacio é fundamental estabelecer uma rotina de forma a oferecer estabilidade e segurança à criança.
Se a criança está no infantário ela irá a determinadas horas ao bacio, o que ajuda os pais neste processo de transição. Em casa os pais deverão cumprir dentro do possível esses horários.

Numa fase inicial é difícil manter a criança sentada durante muito tempo no bacio, mas com o decorrer do tempo ela acabará por entender a razão por que é necessário passar algum tempo no bacio.

Deixe-a brincar com o seu brinquedo preferido, ler um livro, cantar uma música, pa
ra que ela se entretenha mais tempo.

Se a criança não fizer nada, não a deixe estar mais do que 15 minutos no bacio para que ela não fique cansada e desmotivada.

3 – Faça uma festa!

Quando finalmente um dia aparecer um “presente” no fundo do bacio não se acanhe e faça uma festa porque a criança merece. Bata palmas, dê-lhe beijinhos e diga-lhe que se sente contente por ter feito cocó ou chichi no bacio. Isto faz com que a criança seja valorizada e queira repetir a façanha.

Mostre à criança o que ela fez no bacio e mais tarde ensine-a a ir consigo ao wc despejar o bacio na sanita.

4 – Seja coerente

Deixar as fraldas é um processo trabalhoso também para os pais.
Se a criança anda no infantário muitas vezes os sucessos conseguidos durante a semana são colocados em causa no fim-de-semana, por que até é mais prático e seguro para todos durante as saídas para o exterior ou passeios de carro socorrerem-se da milagrosa fralda e colocá-la novamente à criança.
No entanto não se esqueça do seguinte: Quando iniciar este processo SEJA CONGRUENTE. As crianças ficam confusas com o facto de ora estarem sem fralda e serem incentivados a ir ao bacio, ora noutro momento já estão com fralda por que é mais cómodo e seguro!

Arrisque a sair sem lhe colocar a fralda quando o seu filho mostrar que já consegue controlar mais ou menos as micções e dejecções.

Muna-se de várias mudas de roupas, toalhetes e não tenha medo de sair à rua. Mesmo que lhe tenha colocado uma fralda porque a criança vai dormir ou por outra razão não caia no erro de dizer para fazer na fralda se ela lhe pedir para ir ao bacio, só porque é mais cómodo para si. A nossa coerência faz com que eles aprendam.

5 – Como reagir aos acidentes

Durante este processo de deixar a fralda ocorrem muitos avanços e retrocessos que ocasionam alguns “acidentes” no chão, na carpete, na cama…

Mentalize-se que a criança está a aprender e que tal tarefa não é fácil. Muitas vezes uma brincadeira mais prolongada ocasiona distracção. Nestas situações não humilhe a criança ralhando com ela e punindo-a, uma vez que este comportamento vai fazer com que a criança se sinta incapaz.

Explique-lhe que os acidentes acontecem e que ela da próxima vez terá que ter um pouquinho mais de atenção.

6 – Em harmonia com a escola

Se a criança inicia o treino do bacio na escola, o ideal é que esse processo seja iniciado em ambos os lados (escola e casa), para que a criança sinta uma certa harmonia e compreenda as razões do treino dos esfíncteres.

Envie várias mudas de roupa para o infantário pois os “acidentes” não acontecem só em casa.

O treino do bacio, quando iniciado na escola, facilita a aprendizagem, uma vez que a criança se sente acompanhada neste processo.

7 – Deixar as fraldas à noite

Depois da criança conseguir deixar a fralda durante o dia está na hora de tentar deixar à noite. Normalmente é um pouco mais complicado uma vez que a criança se encontra a dormir e poderá não ter consciência que está com vontade de ir ao bacio.

No início comece por acordar várias vezes a criança durante a noite e leve-a ao wc para que urine. Gradualmente a criança irá acordar por si e chamá-la para ir ao wc.
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Previna-se:
- Compre um resguardo para a cama para proteger o colchão;
- Tenha uns panos ou toalhas sempre à mão para emergências nocturnas;
- Tenha mais mudas de roupas de cama. Se houver acidentes e ficar tudo molhado
terá que trocar a roupa da cama para que a criança fique confortável;
- Reduza o volume de líquidos ao deitar.

Boa sorte para mais uma aventura no processo de crescimento e desenvolvimento do seu filho!
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_________ Vânia Coimbra (Enfª SMO) ________
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Bibliografia:
SILVA, Mary Katherine Martins. Guia de pais “MATILDE Vasco, este é o bacio!!!” Campo das Letras

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Deixar a fralda (1ª parte)

«Cada criança tem o seu ritmo» é um chavão que os pais já ouviram vezes sem conta, mas que nem sempre interiorizaram. E por isso ficam preocupados se os filhos dos amigos conseguem atingir esta, como outras etapas, antes do seu. Mas, nesta como noutras questões, é preciso dar tempo ao tempo. E se não podemos nem devemos forçar uma criança a comer ou a dormir, também não podemos nem devemos forçá-la a fazer chichi e cocó quando queremos e onde queremos.

Berry Brazelton, o mais conceituado pediatra da actualidade, alerta os pais para a importância de esperar que a criança esteja pronta. O seu método centra-se na criança, ou seja, é ela que tem de ser a protagonista e não os pais. Na sua opinião, tal nunca deve acontecer antes dos dois anos de idade.

Existem certamente crianças que conseguem deixar as fraldas com sucesso mais cedo, mas ao tentar-se mais cedo, com a generalidade das crianças, estamos a sujeitar muitas delas a um mal-estar psicológico não negligenciável: «Quando as crianças são pressionadas antes de estarem preparadas para serem bem-sucedidas, os insucessos resultam em problemas sérios como a retenção das fezes, a incontinência fecal ou a enurese nocturna» (A Criança e a Higiene, de T. Berry Brazelton e Joshua D. Sparrow, Presença).

O importante será então, na opinião de Brazelton, ter a certeza que a criança está preparada e permitir que esta seja uma conquista sua e não uma imposição dos pais. Para tal, é preciso esperar que surjam os primeiros sinais que revelam a maturidade necessária por parte da criança. Para ele, os mais importantes são: já não querer estar sempre de pé e a andar de um lado para o outro; a linguagem estar bastante desenvolvida; saber dizer Não; saber pôr as coisas no sítio certo; começar a imitar os pais e irmãos mais velhos; começar a manter-se seca durante uma ou duas horas; fazer cocó a horas certas; estar a conquistar a consciência do seu corpo.

Estes sete sinais eleitos por Brazelton como essenciais revelam que o controlo dos esfíncteres, ou seja, aprender a reter durante algum tempo o chichi e o cocó, é uma capacidade complexa e que está relacionada com uma série de outras aquisições. Deixar as fraldas depende de aspectos fisiológicos, mas também cognitivos, psicológicos e emocionais. (…)

ASPECTOS FISIOLÓGICOS E DE MOTRICIDADE
Os músculos dos esfíncteres (genital e anal) têm de ter atingido maturidade suficiente de modo a permitirem que a criança «aguente» algum tempo entre sentir que tem vontade de ir à casa de banho e estar a postos para fazer chichi ou cocó. Essa maturidade muscular acontece, em média, algures entre os 12 e os 24 meses, segundo a Sociedade Americana de Pediatria. (…)

DESENVOLVIMENTO COGNITIVO E LINGUAGEM
A descoberta do corpo é fundamental para conseguir dispensar as fraldas. A criança começa a mostrar curiosidade sobre os seus órgãos genitais e outras partes do corpo, percebe as suas funções, nomeia-os, gosta de jogos que envolvam o seu corpo. (…)
O seu filho tem também de perceber tudo o que lhe diz e saber comunicar quando tem vontade. Só assim poderá entender todos os passos do processo. Aprender o vocabulário envolvido é um passo prévio que não deverá descurar.
Tal como andar ou falar, ir à casa de banho parece muito fácil para quem o fez toda a vida, mas não podemos esquecer que a experiência de toda a vida de uma criança de dois anos é fazer chichi e cocó na fralda. É não ter de se preocupar com isso nem ter de interromper nenhuma actividade para tratar desse assunto. (…)

ASPECTOS EMOCIONAIS E SOCIAIS
Auto-domínio e desejo de agradar aos pais são ingredientes não menos importantes em todo este processo. O desejo de fazer sozinho, de dominar certas actividades são bons indicadores de maturidade. Dizer «eu faço», «eu consigo», «eu sozinho» revelam que a criança está no bom caminho na conquista da independência e que se vai sentir orgulhosa por conseguir ultrapassar com sucesso mais esta importante etapa do seu desenvolvimento.

É claro que esta é também a «idade do Não», ou seja, a criança está a afirmar-se enquanto dona e senhora da sua vontade, por oposição à vontade dos pais. Isso pode dificultar o processo de deixar as fraldas, pois se a criança percebe que os pais fazem muita questão pode marcar a sua posição recusando-se a colaborar. Fazer fora do sítio só pelo prazer de contrariar é sempre uma opção «divertida». Se o seu filho está no auge desta fase, o melhor é esperar que passe. Largar as fraldas não pode ser mais um ponto de discórdia, mas sim uma conquista positiva. (…)

O temperamento da criança também interfere nesta questão. Uma criança demasiado sensível ao toque pode demorar mais algum tempo até estar disposta a sentar-se, sem fralda, numa superfície fria. Uma criança demasiado activa pode ter dificuldade em estar sentada quieta no bacio. Neste caso, pode ser útil a brincadeira de pôr primeiro o boneco preferido a fazer, baixar e levantar as cuecas dele.

NA CRECHE
Quando as crianças passam o dia na creche, é óbvio que a educadora se torna fundamental na altura de deixar as fraldas. A escola e os pais têm de estar em sintonia, no mesmo momento. Ainda no livro “A Criança e a Higiene”, Brazelton alerta para a importância desta sintonia: «Qualquer inconsistência provoca confusão na criança. (…) É essencial que conversem sobre os passos a dar para alcançar o sucesso da criança nesta fase». (…)“

Texto: Ana Esteves
Revista PAIS & Filhos
25 Fevereiro 2009
in http://www.rituaismaternos.com/pronto-para-deixar-a-fralda/