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terça-feira, 18 de agosto de 2009

Brincadeira - Como entreter os nossos filhos

"Para entreter uma criança com idade entre um e três anos não é preciso contratar um palhaço, nem comprar-lhe a loja de brinquedos em peso. O que faz falta é ensinar-lhe a brincar.

NINGUÉM NASCE SABENDO BRINCAR

É algo que tu lhe tens de ensinar. Precisa que tu lhe fales, lhe expliques o que pode fazer com o comboio de trem, com as argolas...

Não podes limitar-te a tratar fisicamente da criança e depois deixá-la entregue a si mesma: que ela se desembarace e se divirta. Entretanto, continuas com os trabalhos domésticos ou sais de casa deixando a criancinha na companhia de uma pessoa enfadonha, que não faz a mais pequena idéia de como entreter os miúdos.

Por muito que te esforces por lhe comprares a boneca da moda, se não lhe ensinares a brincar com ela acabará por se aborrecer e por a deixar abandonada nalgum canto da casa.

Mas fazer isto não é assim tão difícil. Só é preciso um pouco de vontade e de tempo da tua parte.

No dia do aniversário oferece-lhe um balde de legos para montar. Se passares algum tempo, em dias alternados ou aos fins de semana, a manejar as peças com o pequenito, ao fim de algum tempo será capaz de passar horas com o brinquedo, muito divertido.

Se, pelo contrário, lho dás tal e qual como veio da loja e nunca mais lhe ligas, acabarás por ter as peças todas espalhadas num cesto de brinquedos a abarrotar, e a criatura aborrecidíssima, agarrada às tuas saias e a pedir-te que lhe ligues a televisão, enquanto tu, desesperada, te lamentas com o teu marido por teres gasto o dinheiro naquele brinquedo, que acabou por ser posto de lado ao fim de dois minutos.

"O meu filho de dois anos tem toda a espécie de brinquedos e não se entretém com nada."

Este é um grande erro: que a criança tenha à sua disposição e ao seu alcance todos os brinquedos

Rapidamente se fartará deles e não brincará com nenhum.

É mais aconselhável deixar uns quantos à vista, como elemento decorativo, para alegrar o quarto, e o resto guardá-los à custódia da mãe. De quando em quando tiras da gaveta um brinquedo, que o teu filho não via há três meses, e julgará que é novo. Ensinas-lhe a brincar com ele e de certeza que passa uns quantos dias divertidíssimo com a novidade, que depois voltas a guardar para outra oportunidade.

Quais as vantagens desta forma de actuar?
- A criança está continuamente a receber novidades, somente porque há rotação dos mesmos brinquedos.
- Poupas um dinheirão em bonecas e carrinhos novos. Ao guardá-los durante uns tempos e depois fazê-los aparecer, parecem novos à criança e a tua bolsa agradece
.

Um programa educativo
A atividade lúdica é, nos primeiros anos, praticamente o único meio de chegar à criança, de te meteres na sua vida.
Podes educar a criança através da brincadeira
Podes mostrar-lhe comportamentos, atitudes e virtudes que deve seguir. Não veja
s nas brincadeiras apenas um meio de entretenimento, mas também a melhor arma para educar uma criança nos primeiros anos.

A atividade lúdica serve tanto para entreter como para educar

Deves conjugar numa só atividade o entretenimento e a educação. O vosso filho assimilará, da forma mais natural, simples e divertida, o princípio de que há umas normas que têm de reger a sua vida. Se fazes da educação um jogo durante os primeiros anos, não será difícil à criança ser arrumada, obediente, carinhosa, etc., porque assimilou tudo isso sem traumas, como num jogo.

As brincadeiras devem estar sempre integradas num programa educativo

Devem estar minuciosamente elaboradas pelos pais. Deste modo, o jogo que ensinas ao teu filho não é um jogo qualquer, mas sim um jogo cujo objetivo é desenvolver a sua imaginação, a sua memória, obediência, etc., passando uns momentos divertidos:

-· Se queres que seja arrumado, inventa o jogo "A ver quem apanha tudo primeiro: a mãe ou o menino ?". Quem ganhar terá um prêmio.

- Se queres desenvolver a sua imaginação, brinque com máscaras, ou dê-lhe massa de modelar para que molde um boneco ou uma bola.

- Para que aprenda a preocupar-se com os outros, põe-no a cuidar dos bonecos: que lhes dê banho, que os vista, que lhes dê de comer...

- Quando fizeres doce, convida-a a ajudar-te. Aos poucos aprenderá a gostar de cozinhar.

- Se der um pano de pó à pequenita de três anos, ficará radiante por ir atrás de ti limpar o pó. Assim se habitua a ter a casa limpa.

- Enquanto costuras, podes animá-la a fazer o mesmo com um trapinho, e assim começará a gostar de costura.

- A partir dos dois anos e meio uma criança pode ficar encantada por ter encargos. Sente-se muito importante e é uma maneira de começar a dar-lhe responsabilidades.

- Habitua-a a escutar e a compreender os contos, para captar a sua atenção. Uma criança a quem tenhas lido muitas histórias desde pequena, não terá qualquer dificuldade, a partir dos dois anos e meio, em escutá-los atentamente numa fita de gravador ou disco, enquanto tu estiveres ocupada.
Se a criança já fala, podes pedir-lhe que vos conte. É um bom método para que aprenda a memorizar e, mais tarde, para compreender o que lê.

- Música: põe um disco e faz com que dance ao ritmo da melodia. Pouco a pouco a criança irá educando o seu sentido musical.

- Ginástica: arranja um colchão velho e põe-no no chão para que possa dar cambalhotas. Põe um sofá no quarto do pequeno, onde possa saltar sem perigo e sem estragar nada. É um modo de a habituar ao exercício físico, tão saudável para o corpo.

- Casinhas: construa uma com os mais variados materiais, como almofadas, caixas... Hás-de ver como se diverte voltando a fazê-la e dando largas à sua imaginação.

- Trazer amiguinhos - melhor dito, os filhos das amigas da mãe - para brincar em casa, ajuda-a a sociabilizar-se e a abrir o seu ego; aprende a compartilhar.

- Jogos educativos, como puzzles (quebra-cabeças), são de grande utilidade. Ajudam a criança a saber discorrer corretamente.

- Água: pode passar horas metendo e tirando bonecos de dentro de água. É um modo de fazer com que goste de tomar banho em casa, e depois, na piscina.

No início, o pai e a mãe devem fazer estas coisas com o filho. Com o tempo, a criança brincará sozinha.
As saídas diárias ao parque, enquanto não freqüenta uma escola, são indispensáveis na vida da criança. Toma contato com a natureza, faz exercício e relaciona-se com outros meninos.
Aos fins-de-semana procura levar o teu filho para fora da cidade, para o campo. Aos poucos ir-se-á habituando a amar a natureza. Mostra-lhe as flores, as árvores, as plantas, o céu...
CONTINUA :
Regras de ouro para usar os brinquedos

Dá-lhe os brinquedos adequados à sua idade" (IIparte)

Do livro "Os teus filhos de 1 a 3 anos", de Blanca Jordán de Urríes, Coleção Fazer Família, Editora Rei dos Livros

Para ler o artigo completo já, clique:

quinta-feira, 9 de julho de 2009

GESTÃO COMPORTAMENTAL:Estratégias para os pais - III parte

Lidar com o “mau comportamento”

As crianças nascem e têm que aprender a viver numa sociedade que tem determinadas regras. Estas regras existem para que a convivência entre as pessoas seja boa.

Os pais têm um papel chave na preparação da criança para a aprendizagem de capacidades sociais, como, por exemplo, tomar a perspectiva do outro, negociar e resolver problemas. Aos poucos a criança vai acumulando informação e passa a compreender aspectos como o respeito pela autoridade, a amizade, os costumes e as regras.

A disciplina é uma forma de ajudar as crianças (que não conhecem as regras da sociedade) e inserirem-se de forma adequada.
Assim, falar de disciplina é falar de regras.

Por exemplo, num jogo de futebol existe um conjunto de regras que permitem que o jogo aconteça. Quando um jogador (que não seja o guarda-redes) toca na bola com a mão, é falta, ou seja, vai sofrer um castigo. Quanto mais claras e simples forem as regras do jogo, mais fácil é a sua aprendizagem.

Na sociedade em que vivemos, é a mesma coisa. Para aprender a viver em sociedade, a criança precisa de um modelo, um adulto que lhe ensine essas regras.

Num momento ou noutro, todas as crianças mentem, tiram coisas que pertencem aos outros, agridem, gritam ou desobedecem.
A diferença entre estes comportamentos e aquilo que os psicólogos consideram como um problema de comportamento está na gravidade dos comportamentos, na duração, na frequência, no aparecimento dos mesmos em mais do que um contexto (em casa e na escola, por exemplo) e na sua persistência através do tempo, com início numa idade muito jovem.

Há crianças que, apesar de já estarem numa etapa mais avançada do seu desenvolvimento, continuam a apresentar comportamentos como birras e desobediência.
Isso pode significar que esses comportamentos estão a ser inadequadamente reforçados, que não têm consequências e a criança está a obter o que deseja, mesmo com o mau comportamento, e por isso os comportamentos persistem.

Educar uma criança exige energia e paciência.
Energia porque algumas crianças são mais difíceis de controlar do que outras e paciência para definir a melhor forma de lidar com o comportamento no momento em que este surge, sem ser impulsivo.

A criança levou meses ou mesmo anos a desenvolver os seus comportamentos e, portanto, não é de um momento para o outro que os vai alterar.
É preciso paciência...
A aplicação de estratégias adequadas deve ser sistemática, persistente e continuada,
reforçando sempre as pequenas vitória


Há uma regra muito importante:

Separar a criança do seu comportamento!

Se o objectivo da disciplina é aumentar o bom comportamento e acabar com o mau comportamento, é para o mau comportamento que se devem dirigir os comentários, não para a criança!

Queremos acabar com o mau comportamento! ELE é o INIMIGO a abater
Não diga:
“Assim não gosto mais de ti,
diga “Não gosto que faças isso...!”.


ESTRATÉGIAS DE CONTROLO DO COMPORTAMENTO INADEQUADO

1. Reforço positivo dos comportamentos adequados

Consiste na apresentação de uma consequência positiva após um comportamento adequado. Essa consequência fortalece o comportamento e aumenta o número de vezes que ele poderá aparecer. Significa elogiar situações em que o”mau comportamento” não aparece.
O reforço positivo pode ser dado sob a forma de:

- elogios (ex.: “Muito bem, estou muito contente contigo!”)
- afecto físico (ex.: beijos, carícias, etc.)
- recompensas (ex.: ler uma história, comer pizza, chocolates, jogos, livros, brincadeiras, gelados, brinquedos, sobremesa favorita, etc.)

- Deve ser fornecido imediatamente após o comportamento adequado acontecer;
- Não deve ser combinado com uma crítica (ex.: “a cama está feita, mas já a podias ter feito logo que te levantaste e não agora!...”);
- Deve ser importante para a criança e variar ao longo do tempo;
- Devem centrar-se no comportamento adequado, de forma a aumentar a probabilidade de ele voltar a acontecer. Por exemplo: “gosto muito quando arrumas o teu quarto!”.

Assim, o comportamento que agrada aos pais foi especificado, deixando claro para a criança que terá sempre a sua aprovação ao faze-lo;

- Os elogios devem ser feitos de forma sincera;

- Os reforços não devem ser só guardados para os comportamentos excelentes, qualquer pequeno esforço que signifique uma mudança ou aproximação ao comportamento desejado

2. Usar punição moderada

Consiste num método de alteração do comportamento em que é apresentado à criança um acontecimento desagradável ou retirado um estímulo positivo (por exemplo, o brinquedo ou o programa de televisão preferido) como consequência de um comportamento inadequado. A intenção é que este comportamento diminua de frequência, duração e intensidade.

Não esquecer…

- A criança não deve ser punida por tudo o que faça de errado (o que não significa que não seja repreendida), mas pelos comportamentos considerados mais desadequados;

- Tanto a punição como as recompensas devem ser seguidas ao comportamento; períodos de tempo alargados não resultam;

- Antes de iniciar o uso da punição moderada os pais devem usar o reforço positivo dos comportamentos que querem ver repetidos pela criança. Isto irá ensinar à criança aquilo que esperam que ela faça;

- Deve ser retirado um privilégio (por exemplo, comer sobremesa) ou uma actividade preferida da criança (por exemplo, ver o programa de televisão preferido) em função do comportamento inadequado;

- A punição deve ser uma consequência do comportamento inadequado, de forma a que a criança compreenda a relação causa-efeito: “atiraste brinquedos à tua irmã, então vais ficar até amanha sem brincares com eles”.

Para as crianças os actos significam muito mais do que as palavras.

- O uso da punição deve ser consistente ao longo do tempo, ou seja, quando a criança for punida por um comportamento deve ser sempre punida quando apresenta esse mesmo comportamento;

- A punição não deve ser usada por períodos indeterminados mas sim por um período estabelecido (por exemplo, não arrumaste o teu quarto, não vês hoje o teu programa de televisão favorito). No dia seguinte a criança deve ter oportunidade de apresentar um comportamento adequado e ter uma recompensa;

- A punição deve ser suficientemente desagradável para que a criança se sinta motivada para alterar o seu comportamento;

- Não deve ser aplicado sempre o mesmo tipo de punição, pois estas perdem o seu efeito com o passar do tempo.

- Um tipo de punição muito eficaz é a “pausa”.


Consiste em retirar a criança do local onde está a apresentar os comportamentos inadequados e colocá-la num local vazio de entretenimentos, de forma a interromper esses comportamentos e não ser indevidamente reforçada com a atenção das pessoas.

…Como usar a pausa?

A pausa pode ser usada quando a criança apresenta os seguintes comportamentos: agressividade, birras, provocações, comportamentos inadequados à mesa e desobediência.

Pausa: Alguns cuidados a ter em conta:

a)Seleccionar um ou dois comportamentos alvo para iniciar o uso da pausa (por exemplo, os mais graves), pois caso os pais comecem a utiliza-la para muitos comportamentos, a criança correrá o risco de passar muito tempo na pausa, o que não é adequado;

b)Escolher um local que não tenha distractores, mas que não seja assustador;

c)Num primeiro momento os pais devem pedir à criança para interromper o “mau comportamento” (pré-aviso): “Joana, pára de gritar com o bebé ou vais para a pausa”. Caso a criança não obedeça no próximo minuto, vai imediatamente para a pausa.

d)Sempre que os comportamentos seleccionados aconteçam, a criança deve ser mandada para a pausa;

e)Quando mandam a criança para a pausa, os pais devem olhar para a criança e usar um tom de voz e postura firmes: “Estou a avisar-te que se não obedeceres à mãe/ pai vais 5 minutos para a pausa”;

f)Usar imediatamente após o comportamento inadequado, sem sermões a acompanhar;

g)Não discutir com a criança enquanto estiver na pausa, ou seja, nada de discussões;

h)Os comportamentos que não são observados pelos pais não devem ser punidos com a pausa;

i)Caso tenha sido pedida uma tarefa à criança e ela não cumpra com este pedido depois de sair da pausa, deve ser usada a punição moderada (por exemplo, não brincar com os amigos naquele dia);

j)Nada que a criança faça, peça ou prometa poderá evitar que a pausa seja implementada.

k)A criança deve ficar na pausa um minuto por cada ano de idade. Exemplo: 8 anos, 8 minutos.

- Se a criança se recusar a ir para a pausa, deve ser retirado um privilégio (por exemplo, brincar com as bonecas) e este só é reobtido quando cumprir o tempo determinado em pausa.
- Se a criança sair da pausa sem permissão deve ser dado o aviso de que se não voltar terá que cumprir o triplo do tempo e que será aplicada uma punição.

Este aviso deve ser dado apenas uma vez e com um tom de voz firme. Caso ela não volte, é imediatamente punida, sem discussões.

- Se a criança desarrumar as coisas durante a pausa, insistir para que arrume tudo antes de sair da pausa.

- Depois de terminada a pausa, não repreenda, ralhe ou censure a criança. Ela já cumpriu o castigo
!

3. Ignorar o mau comportamento (não prestar atenção)

Alguns comportamentos devem ser ignorados, por exemplo, birras, gritos, mau humor, choro, “queixinhas”, pendurar-se na mãe quando fala com outra pessoa, etc.
Esta estratégia só deve ser usada com comportamentos de pouca gravidade.

Os pais devem envolver-se noutras actividades, fingir que não estão a ouvir, virar as costas ou sair de perto da criança. É importante que ao ignorar não mostrem raiva ou impaciência, isso seria dar atenção ao mau comportamento.

4. Fazer pedidos de forma eficaz

Não esquecer...
- Os pais devem decidir o que realmente querem que a criança faça;

- Os pedidos devem ser apresentados de forma directa e não sob a forma de questão ou como se estivessem a pedir um favor;

- Os pedidos devem ser feitos de uma forma clara, para que a criança compreenda e obedeça.
Por exemplo, “Maria, arruma agora estes brinquedos no caixote do teu quarto” é diferente de “Tira estes brinquedos daqui.”

- Devem ser dados comandos simples e não confundir a criança;

- Os pais devem olhar directamente para a criança (não deve ser dada uma ordem na cozinha, estando a criança no quarto);

- Os elementos que distraem a criança devem ser reduzidos antes de ser feito o pedido. Por exemplo, se a criança está a jogar um jogo de computador, o pai deve dizer-lhe para desligar e depois pedir para lavar as mãos e ir para a mesa.

- Quando necessário, a criança deve repetir o pedido para os pais se certificarem que ela compreendeu o que foi pedido. A repetição correcta deve ser elogiada;

- A criança deve ser reforçada pelo comportamento de obediência e deve ser usada a punição moderada caso não obedeça.

5. Dizer não quando é preciso

Quando acharem adequado, os pais devem usar essa palavra sem medo e mantê-la até ao fim. Não é não.
Quando os pais permitem tudo à criança, impedem-na de reconhecer os seus limites e favorecem uma posição poderosa em que não tem em conta o sentimento dos outros. Saber que existem limites ajuda a criança a saber o que esperam dela e com o que pode contar.
Se a situação justificar, os pais podem explicar rapidamente porquê estão a dizer “não”, mas não devem voltar a repetir, nem entrar em discussão ou fazer discursos moralistas. Caso ela insista em pedir o que seja, devem ignorar.

6. Escolhas e consequências

Dar uma escolha à criança, ensinando-a a ter um papel activo nas suas próprias decisões e ser responsável pelo seu próprio comportamento. Por isso, é importante para a criança saber que a sua escolha terá uma consequência. Esta consequência não deve ser referida como um castigo mas como resultado da escolha que a criança fez. Além disso, a criança deve saber antecipadamente que determinado comportamento terá

determinada consequência, ou seja, não estamos a preparar armadilhas para ninguém.
Exemplo: “Se não arrumares o teu quarto não vais brincar com os primos.”

7. Primeiro..., depois...

Primeiro as tarefas que quer que a criança faça, depois as actividades que a criança gosta/ quer fazer.
É útil para implementar tarefas menos motivadoras para a criança.
Exemplo: Rui, os teus amigos estão lá fora. Podes sair logo depois de arrumar o quarto.

8. Consequências lógicas e naturais

Aquilo que aconteceria sem a intervenção de um adulto.
Exemplos:
- A criança parte o lápis a um colega, tem como consequência dar-lhe um lápis novo ou dar-lhe o dinheiro para comprar outro;
- A criança suja a mesa, limpa-a;
- A criança parte um brinquedo, fica sem ele, não lhe dão outro.

9. Trabalho extra

É importante sobretudo para comportamentos mais sérios, como mentir, roubar ou destruir propriedade.
Exemplo: se a criança mentiu, tem como consequência varrer a entrada da sala durante 10 minutos.

Esteja preparado para o “mau comportamento” aumentar.
Frequentemente, as coisas pioram uns dias
antes de começarem a melhorar.

Dê o seu melhor, seja paciente e persistente.
E continue a não esquecer que...

 - É muito importante para um desenvolvimento saudável das crianças que os pais partilhem alguns momentos de “brincadeira” com elas, isto é, disponibilizar alguns minutos diários para estar com a criança a fazer algo que ela gosta e a comunicar sem fazer críticas ou impor exigências;
 - É muito importante valorizar as competências das crianças, isto é, elogiá-las e salientar que há coisas que fazem bem (ex: desenhar, cantar, jogar à bola…).



 - Para que uma criança se sinta motivada e interessada na escola, deve perceber que aos pais acham importantes as suas aprendizagens e dão atenção aos seus sucessos. Assim, a melhor forma de ajudar uma criança a interessar-se pelas aprendizagens escolares é acompanhando-a e dando apoio nas tarefas diárias como os T.P.C..

João Figueiredo (Psicologo Clinico)

Fotos net

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

GESTÃO COMPORTAMENTAL:Estratégias para os pais II parte

Estamos sempre a comunicar,
mesmo quando não falamos...


A comunicação faz-se através de palavras (verbal) e
também através de gestos, expressões faciais,
tom de voz, silêncios, etc. (não verbal).

No entanto, nem sempre conseguimos comunicar aquilo que realmente queremos, ou da forma como queremos.

A seguir damos algumas dicas para tornar
a comunicação mais clara e efectiva.


1. Fale calmamente
Fale num tom de voz calmo e pausado, usando frases curtas e directas. Diga uma coisa de cada vez (não salte de assunto).

2. Use mensagens “eu” em vez de mensagens “tu”
As mensagens “eu” centram-se em nós e promovem uma comunicação clara dos nossos comportamentos e sentimentos. Ao usar frases “eu”, embora esteja a confrontar a criança, porque está a falar sobre o seu comportamento, não a magoa.
Nas mensagens “tu” o foco passa a ser a outra pessoa e soam a criticismo. A outra pessoa reage quase sempre com raiva, sente-se humilhada e tem uma atitude defensiva.
Exemplo:
Mensagem “tu”: “Tu nunca chegas a horas, és sempre o mesmo atrasado!”
Mensagem “eu”: “Eu fico preocupada/ aborrecida quando chegas atrasado.”

3. Seja específico
Diga exactamente aquilo que quer. Quando quer que a criança faça alguma coisa, diga de forma clara e específica o comportamento que pretende ver realizado. Concentre-se num tópico de cada vez.

4. Seja breve
Use uma linguagem simples e directa, seja breve, sem rodeios.

5. Verifique se a criança está a ouvir/ compreender
Pode perguntar: “o que é que achas?”, “concordas?”. Fazer perguntas envolve quem está a ouvir e permite verificar se compreendeu.

6. Mostre que está a ouvir
Pode mostrar que está a ouvir, que está interessado e atento, mantendo um bom contacto ocular e mostrando que compreende o que a criança lhe diz e sente (ex.: acenando com a cabeça, dizendo “hum-hum”).

7. Faça a criança sentir que você a compreende

Acompanhe o discurso ou as experiências da criança, mostrando interesse e que o que se passa com ela não lhe é indiferente, ou seja, mostre à criança que você está atento. Isso faz com que se sinta com valor e que alguém lhe dá atenção.
Exemplo:
“Percebo, deves ter-te sentido muito triste com isso.”

8. Coloque questões para esclarecer dúvidas
Para se mostrar interessado e perceber exactamente aquilo que a criança quer dizer, é útil fazer questões.

OBSTÁCULOS A UMA COMUNICAÇÃO CLARA E EFECTIVA

1. “Deitar abaixo”
Exemplo:

chamar nomes, insultar, rir-se de forma inapropriada, fazer comentários depreciativos, troçar das ideias ou dos esforços dos outros.

2. Usar frases coercivas
Exemplo: “tens que”, “deves”...

3. Misturar frases positivas e negativas
Exemplo:



“Muito bem, fico contente que tenhas feito hoje tua a cama, já não era sem tempo!”

4. “Ser historiador”
Exemplo:

Estar sempre a lembrar o que correu mal no passado.

5. Falar pelos outros
Exemplo:

“nós estamos muito zangados contigo”.

6. Ter sinais verbais e não verbais inconsistentes
Ou seja, dizer uma coisa mas demonstrar outra através do não verbal (corpo ou expressão facial, tom de voz..)
Exemplo: “está muito bem o teu desenho”, ao mesmo tempo que desvia o olhar e faz uma cara de reprovação
.

7. Culpabilizar
Exemplo: “És sempre o mesmo trapalhão!”.

8. Usar “palavras-rastilho”
Ou seja, que fazem aumentar a tensão e provocam conflito. Muitas vezes fazem explodir reacções emocionais e comportamentos desadequados, e dão origem, posteriormente, a reacções do género: “não sei como fiz aquilo.”
Exemplo:



Linguagem extremista - “sempre, nunca, constantemente, para sempre,...”;
Linguagem crítica - “é melhor que, tens de, devias...”
Rotulagem - “mau, burro, idiota, terrível, porco, peste”.


Tente usar uma linguagem mais flexível
Exemplo:


dizer “às vezes” em vez de “sempre”, “agora”, em vez de “nunca”.

Uma linguagem assim tem a vantagem de evitar a escalada do conflito e de não o fazer perder a calma.

É importante nunca esquecer que quando os adultos se descontrolam as crianças seguem o seu exemplo e aprendem que esse comportamento é aceitável.
Elas aprendem a fazer o mesmo.


Próximo postagem: "como lidar com o mau comportamento”
joão figeiredo - psicologo

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Gestão Comportamental: - Estratégias para os pais - 1ª parte

Algumas orientações para gerir os
Comportamentos das crianças

Educar uma criança não é tarefa fácil.
Na maior parte das vezes os pais têm dúvidas:

- Como devo educar?
- Existem formas melhores?
- Farei bem ou mal?
- Devo castigá-lo?

NA VERDADE, NÃO EXISTE UMA RECEITA...
Mas alguns cuidados são importantes para que não se caia em extremos... Nem 8 nem 80!
É importante:
- Tolerar sem esquecer quem são os pais,
- Facilitar sem deixar fazer tudo o que a criança quer,
- Vigiar sem impor.

É IMPORTANTE FAZER COM QUE A CRIANÇA CUMPRA AS REGRAS IMPOSTAS.

Muitas vezes, os pais hesitam em dizer não ou em repreender a criança porque temem que ela fique “traumatizada”, criando uma relação onde ela detém o poder, pois, rapidamente, passa a fazer uso da ideia de que realmente não pode ser contrariada nas suas vontades.
Não é saudável que deixem a criança fazer tudo o quer e não lhe imponham regras, alimentando um sentimento de que tudo lhe é permitido.
Ao procurar dar mais e mais à criança, podem estar a contribuir para a inversão de valores importantes para viver em sociedade, como a partilha e o respeito pelos outros.

DEVEMOS SABER QUE...

Impor regras e limites aos comportamentos não quer dizer que não se gosta da criança! Quer dizer exactamente o contrário: significa ensinar à criança como se deve viver saudavelmente com os outros.
Impor regras é ajudar a criança a crescer! Elas devem saber o que podem e não fazer em sociedade.

1. Porque é que o meu filho tem determinados comportamentos?

À medida que vai crescendo, a criança vai aprendendo a forma com as pessoas que estão à sua volta reagem ao seu comportamento.

Uma criança que se recusa sistematicamente a comer sozinha e cujos pais acabam por (após muita insistência e sem resultado) lhe dar de comer à boca, aprende que não precisa de comer sozinha, uma vez que os pais acabam sempre por ceder.

A reacção do adulto é, portanto, um elemento fundamental da relação, porque ensina a criança a controlar-se e como se deve comportar de forma adequada.

É importante perceber que a criança levou meses ou mesmo anos a desenvolver os seus comportamentos e, portanto, não é de um momento para o outro que os vai alterar. É preciso paciência!

2. O papel dos pais...

Os pais são competentes para resolver os problemas da família à medida que estes vão surgindo, sobretudo se usarem carinho, compreensão, tolerância e definirem regras e fronteiras claras.

3. Porque é que os comportamentos não adequados e a desobediência persistem?

- estão a ser reforçados inadequadamente
- não têm consequências e a criança obtém o que deseja com esse comportamento

4. Porque é que o comportamento acontece?

Um comportamento depende
- Daquilo que acontece antes (estímulo)
- Daquilo que acontece depois (consequência)

5. Que comportamentos a criança tem?

As crianças...
- repetem comportamentos que têm consequências agradáveis e
- não realizam comportamentos que têm consequências desagradáveis.

Por exemplo, a Marta agride a irmã para se sentar à frente no carro. Se os pais o permitirem (não derem nenhuma consequência desagradável) ela vai sentir-se reforçada e tenderá a repetir este comportamento. No entanto, se lhe for apresentada uma consequência (exemplo: ter que ir o caminho de ida e volta no banco de trás) este comportamento tenderá a desaparecer.

ALGUMAS ATITUDES QUE PROMOVEM OS PROBLEMAS DE COMPORTAMENTO:

1. A desautorização entre os pais: é natural que os pais nem sempre estejam de acordo. No entanto, não devem nunca desautorizarem-se em frente da criança pois faz com que ela sinta que não há regras claras e autoridade, criando ela as suas próprias regras.

2. Usar sermões: são inúteis porque mais tarde a criança volta a fazer a mesma coisa. As crianças compreendem melhor se tiverem consequências directas aos seus comportamentos do que as palavras. É preciso agir e não dar sermões.

3. Fazer ameaças e não cumprir: as ameaças causam medo nas crianças e, mais tarde ou mais cedo, elas vão perceber que os pais estão a mentir.

4. Ser inconsistente: dizer uma coisa e fazer outra... As regras devem ser sempre as mesmas e levadas até ao fim! Por exemplo, é um erro dizer “tens que comer sozinho, não te vou dar a comida à boca mais uma vez” e, face à insistência da criança, acabar por ceder, dando-lhe a comida na boca.

5. Gritar: a única vantagem é aliviar a tensão dos pais. Mas as desvantagens são maiores: mostra descontrolo e ensina a fazer o mesmo. Mostra à criança que vence quem fala mais alto.

6. Ceder às birras: quando os pais decidem dizer não, deve ser não até ao fim, independentemente do comportamento da criança. Caso contrário a criança vai aprender que com a birra consegue o que quer. Por exemplo, se a criança insiste que quer um chocolate no café e os pais dizem que não, não devem mudar de opinião com a sua birra, choro ou teimosia, senão a criança vai aprender que sempre que fizer birra vai te o que quer. Não é não!

7. Criticar a criança e não o comportamento: “És sempre o mesmo, nunca vais mudar!”. A criança vai aprender que é mesmo assim e não há nada a fazer.

8. Bater: não funciona porque a criança só obedece naquele momento. Passado pouco tempo volta a fazer o mesmo.


ENTÃO O QUE DEVEMOS FAZER?

Estabelecer regras claras e únicas, bem como as consequências de não as cumprir.
A criança deve saber o que pode esperar do seu comportamento.

 Moldar os comportamentos com as suas recompensas

- Reforçar os comportamentos adequados:
Quando a criança faz o comportamento desejado, deve-se recompensá-la (por exemplo, uma ida ao parque, uma sobremesa ao seu gosto, uma história ao deitar, ou simplesmente, e mais importante, um elogio: “muito bem, hoje comeste a sopa sozinha, fico muito contente contigo!”

- Ignorar ou não reforçar comportamentos desadequados:
Por exemplo, quando a criança faz uma birra, ignorar até ela acabar. Se os pais reconfortarem a criança fazendo aquilo que ela quer, reforçam este comportamento, ou seja, vão fazer com que a criança repita a birra.

Continua...
João Figueiredo
Psicólogo