domingo, 27 de dezembro de 2009


A equipa de enfermagem de saúde materno-infantil deseja a todos os leitores um próspero Ano Novo, repleto de paz, amor e saúde.

Que reine a harmonia no seio das famílias!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Vou ter um irmão... e agora?

O nascimento de um segundo filho é um acontecimento marcante na vida familiar, sobretudo para o primogénito que começa a sentir que deixou de ser o centro das atenções, que o mundo mudou o seu centro para outro ponto que já não é ele.

Ainda durante a gravidez poderão sentir-se já mudanças de comportamentos da criança que considera a vinda de um irmão como uma ameaça ao relacionamento com os seus pais.

Esses comportamentos incluem condutas regressivas, tais como, fala infantilizada, pedid
o de colo, uso de chupeta, retrocesso na aprendizagem de hábitos de higiene, chupar no dedo, não querer comer sozinho, bem como, aumento das exigências relativamente à mãe, agressividade para com os pais, problemas de sono, entre outros. Tudo isto constitui estratégias para reaver as interacções e as atenções dos pais.

No entanto, apesar do grande impacto causado aquando do nascimento do irmão, a maioria dos primogénitos tende a apresentar, com o decorrer do tempo, um gradual retorno aos padrões anteriores de funcionamento. Kreppner et tal, 1982, considera que são necessários dois anos para que a família se possa reestruturar após o nascimento de um segundo filho.

Deste modo, é fundamental ainda durante a gravidez falar com a criança sobre a vinda de um bebé. O início deste processo complexo de tornar-se irmão, que pode minar temporariamente a segurança e a confiança do primogénito, requer uma grande atenção por parte dos pais. Todas as mudanças importantes na vida da criança, tais como, entrada no infantário, mudança de quarto, deverão ser efectuadas algum tempo antes do nascimento do irmão.

Um dos aspectos essenciais para que a criança não sinta a chegada de um irmão como uma perda, consiste em envolver o pai no processo de cuidados, nas brincadeiras, nas rotinas do dia-a-dia. O pai desempenha um papel fundamental na busca pelo equilíbrio familiar, podendo suprimir a ausência da mãe e o menor envolvimento desta com o filho mais velho no período pós-parto.

Todos nós sabemos as exigências que um bebé traz à família, em especial à mãe que a tem de amamentar, cuidar da sua higiene, tranquilizá-la, amá-la. Os bebés “não esperam” para ver as suas necessidades satisfeitas e a criança mais velha acaba por esperar, esperar, esperar…

Espera para brincar, espera para adormecer, espera para comer, espera para ir ao parque… A sua auto-estima vai diminuindo, a sua confiança na mãe sai abalada… Parece que o mundo se transformou por completo! Até as pessoas estranhas dão mais atenção ao bebé!

Tendo em conta estas considerações não é difícil de antever que a criança vai escolher formas para rivalizar com o irmão, fazendo inúmeras chamadas de atenção que envolvem birras e mau comportamento. Os pais acabam por o castigar mas sem sucesso. Não vêem alteração no seu comportamento… forma-se uma bola de neve!

Como dar a volta à situação?

Mãe:
aproveitar o tempo livre para sair com o filho mais velho, brincar com ele, fazer actividades que ele gosta, como ir ao parque ou jogar futebol… Poderá deixar o bebé com uma avó ou com o pai durante esse período. Privilegiar o tempo de qualidade, em vez da quantidade.
Não cair na tentação de ficar a cuidar sozinha das duas crianças. A mais velha deverá continuar com as suas rotinas, frequentando a escola.

Pai: aliviar as tarefas da mãe relativamente ao filho mais velho. Cuidar dele, dar-lhe banho, levá-lo à escola, brincar, ler histórias, ajudá-lo a adormecer… Todas estas tarefas devem ser iniciadas antes do bebé nascer para dar tempo à criança se envolver mais com a figura paterna. Desta forma, a criança vai buscar atenção a fontes alternativas às da mãe. O pai torna-se capaz de distrair a criança e esta acaba por ficar menos aborrecida com o envolvimento da mãe com o bebé.

Nota: A criança mais velha deverá participar na vida familiar… Por vezes cai-se na tentação de a deixar ao encargo dos avós durante o internamento na maternidade e durante os primeiros dias após o nascimento do bebé. Contudo, ela apercebe-se que o bebé veio roubar o espaço que era dela, que passou para segundo plano.

Pode ser difícil gerir o dia-a-dia com duas crianças. Há que arranjar estratégias para as envolver na rotina familiar para que nenhuma delas se sinta à margem. Cabe aos pais envolver a criança mais velha nos cuidados ao bebé, fazendo-a ver que tem um papel fundamental no seio da família e dando-lhe a conhecer a importância do estatuto de filho mais velho que elas tanto apreciam. Ao proporcionar


a participação nos cuidados ao bebé está-se a integrar a criança neste novo projecto de vida familiar, ao mesmo tempo que se estimula o relacionamento entre os irmãos e o desenvolvimento de responsabilidade, compreensão e afectividade.

Espero que este artigo suscite o interesse dos leitores e levante uma série de questões e reflexões oportunas. Quem já viveu esta realidade poderá dar o seu valioso contributo. Todos nós aprendemos com as experiências dos outros.
Em breve será postado um outro artigo com dicas importantes para minimizar os ciúmes entre irmãos.


________________ Vânia Coimbra ________________

Bibliografia:
PEREIRA, Caroline; PICCININI, César. O impacto da gestação do segundo filho na dinâmica familiar. Estudo psicológico Campinas; vol.24, nº 3, 2007

domingo, 1 de novembro de 2009

E EU?

(Recebemos por e-mail esta história decidimos publica-la porque tem algumas questões importantes para reflexão.
Numa próxima postagem procuraremos reflectir convosco, que ides ser pais pela 2ª vez, ou mais.)
"Enquanto esperava ser chamada para uma consulta, observei um gorotinho de cerca de 5 anos que brincava sozinho com um pequenino carro. Quando ele se apercebeu que eu olhava convidou-me a brincar.

Separados por uma pequena mesa, lançavamos o carro um ao outro...
E, quando já sabiamos, os nomes um do outro, perguntei-lhe com quem estava. Respondeu que a mãe estava lá dentro, no médico, pois ia ter um bebé.
Então vais ter um irmão!
Para quê? responde ele.
Para gostar muito dele, brincar com ele, ajudar a tua mãe.a tratar dele...
E eu? Pergunta ele com os olhitos cheios de lágrimas.

A mãe chegou e ele rápidamente se levantou e correu para ela, depois voltou-se para trás e levou o dedo indicador à boca e fez o sinal de SILÊNCIO!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A IMPORTÂNCIA DO PEQUENO ALMOÇO

Um pequeno-almoço saudável e equilibrado é essencial a qualquer criança para que esta comece bem o dia.
O pequeno-almoço deve fornecer nutrientes em quantidades adequadas, de modo a oferecer à criança a energia necessária para o desempenho das suas funções, optimizando as capacidades cognitivas e facilitando os processos de aprendizagem.


Estudos referem:
Um pequeno-almoço com alimentos provenientes dos 7 grupos da roda dos alimentos fornece às crianças aproximadamente um quarto das suas necessidades diárias em nutrientes;
Indivíduos que “saltam” a refeição do pequeno-almoço têm menos hipóteses de atingir a quantidade diária, necessária, de nutrientes;
Quando as crianças tomam o pequeno-almoço, estão facilitadas funções como a concentração, aprendizagem, pensamento e comportamento.


Quatro estratégias para tornar o pequeno-almoço um hábito na sua casa:

1. Seja um modelo. Se quer que a sua criança coma o pequeno-almoço, toma-o também!!!
2. Mantenha os alimentos do pequeno-almoço sempre à mão. Tenha pelo menos duas porções de cada item que vai servir ao pequeno-almoço (ex: no caso do pão, servir dois tipos de pão diferentes), para tornar o pequeno-almoço mais variado e assim evitar a monotonia.
3. Torne-o fácil. Adopte formas de servir o pequeno-almoço que sejam simples e viáveis, de preferência, de modo a que as crianças consigam servir-se sozinhas. Mantenha os alimentos sempre visíveis.

4. Tente o pequeno-almoço na escola. Encoraje as crianças que não conseguem tomar o pequeno-almoço em casa a tomarem-no na escola. O importante aqui é a intervenção dos pais na elaboração do pequeno-almoço para se certificarem que as crianças tomem um pequeno-almoço saudável.

Fonte
Direcção-Geral da Saúde. Microsite da plataforma contra a obesidade. A importância do pequeno almoço. Acedido a 21/10/2009. Disponível em:
http://goprod.dgs.pt/PresentationLayer/textos01.aspx?cttextoid=225&menuid=198&exmenuid=233

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

POEMA

Relembremos este poema de Florbela Espanca sobre o tema da criança…



Pequenina


És pequenina e ris ... A boca breve
É um pequeno idílio cor-de-rosa ...
Haste de lírio frágil e mimosa!
Cofre de beijos feito sonho e neve!

Doce quimera que a nossa alma deve
Ao Céu que assim te faz tão graciosa!
Que nesta vida amarga e tormentosa
Te fez nascer como um perfume leve!

O ver o teu olhar faz bem à gente ...
E cheira e sabe, a nossa boca, a flores
Quando o teu nome diz, suavemente ...

Pequenina que a Mãe de Deus sonhou,
Que ela afaste de ti aquelas dores
Que fizeram de mim isto que sou!


Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Ajudando o seu filho a dormir

Factos sobre crianças e sono
As pesquisas sobre padrões de sono dos bebés e de crianças pequenas estabeleceram que:

• Os bebés acordam muito mais que os adultos porque seu ciclo médio de sono dura somente 50 minutos, comparados com os nossos que duram 90 minutos.

• Problemas de sono persistentes ou recorrentes são comuns nos anos pré-escolares.

• Aproximadamente 25% das crianças menores de 5 anos apresentam problemas de sono.

• Cerca de 20% dos pais reclamam que os bebés choram muito durante os 3 primeiros meses de vida antes de adormecerem.

1 - Acalmando o cérebro na hora de ir para a cama

O seu objectivo número 1 na hora de colocar o seu filho para dormir é trazê-lo de um estado de alerta máximo através da activação da substância calmante chamada ocitocina e da hormona do sono melatonina. A forma mais provável de atingir isso é através de uma rotina relaxante. Quando isso é repetido torna-se possível activar as mesmas substâncias químicas calmantes no cérebro.

2 - O que quer que você faça, mantenha-se calmo

Se as substâncias químicas do stress estão a ser activadas no seu próprio cérebro, não pode esperar que vá acalmar o seu filho e trazê-lo de um estado de alerta. O seu tom de voz é tudo e se você está tenso, exigente, irritado ou nervoso, as suas tentativas de ser calmo serão falsas.
Por outras palavras, o seu estado emocional pode activar os sistemas de alarme no cérebro do seu filho, fazendo-o sentir-se inseguro para dormir. Em contrapartida, se seu cérebro está a activar os opióides e sua voz é gentil, baixa e calma, isso traz confiança ao seu filho, tranquilizando-o.

3 -Aconchegue-se e leia um livro

Enquanto você lê, o seu contacto corporal com o seu filho irá activar a ocitocina no cérebro dele, deixando-o sonolento. Escutar uma história estimula os lobos frontais do cérebro da criança (cérebro superior), a parte que naturalmente inibe impulsos motores – como o desejo de pular na cama. Tente criar uma atmosfera mágica. Diminua as luzes (a escuridão activa a melatonina), coloque a tocar uma música suave, para diminuir a excitação da criança.

4 - Não dê comidas que vão deixá-lo acordado

Evite dar ao seu filho comidas ricas em proteínas, como carne ou peixe, nas duas horas anteriores à rotina do sono, uma vez que activam a dopamina (um estimulante cerebral). Chocolate também não é boa ideia, porque contém cafeína, que é estimulante. Se o seu filho está com fome, ofereça carboidratos, como uma banana, que activa serotonina no cérebro e ajuda-o a sentir-se sonolento, ou então opte por oferecer um copo de leite morno.

5 - Evite activar o sistema de medo na parte inferior do cérebro da criança

Se o seu filho está com medo do escuro, mantenha uma luz fraquinha no quarto. Você pode chamá-la de “fadinha da segurança”, que irá tomar conta dele enquanto ele dorme. Encare com seriedade os medos e ansiedades dele e conforte-o. Se não fizer isso, o cérebro dele continuará a activar altos níveis de glutamato, norepinefrina e CRF (factor de liberação de corticotropina), levando o corpo dele a um estado de super estimulação.

6 - Você pode deitar-se ao lado dele enquanto ele adormece

Por vezes é mesmo necessário deitar-se ao lado do seu filho; no entanto não deve haver conversa. Finja estar a dormir; concentre-se na sua própria respiração profunda. O contacto pele a pele irá regular o sistema de excitação do seu filho e fortalecer a ligação entre vocês. Quanto mais calmo você estiver, mais calmo ele estará. Considere as substâncias químicas cerebrais envolvidas. O contacto corporal activa a liberação de opióides e ocitocina – e a ocitocina promove a sonolência. Quando ele adormecer, saia do quarto e aproveite a sua noite.

7 - Se a criança está muito ansiosa pergunte o porquê

Uma criança ansiosa de 3 anos que está a sentir medo da separação provavelmente pedirá por mais um copo de água,pela chupeta ou para ir ao wc, quando o que ele realmente quer dizer é que está com medo. Pergunte de que ele tem medo... Quando os sentimentos dele estiverem expostos e discutidos, você pode encontrar maneiras de acalmá-lo, como entregar-lhe uma peça de roupa sua para ele segurar enquanto adormece, ou abraçá-lo na cama de uma forma especial, reconfortando-o com abraços e palavras. Use a sua presença emocionalmente aconchegante para activar os opióides no cérebro dele, uma vez que tais substâncias inibem a ansiedade da separação.

8 - Tenho que acalmar o meu filho repetidamente, toda noite – o que estou a fazer de errado?

Se você está a encontrar dificuldades em colocar o seu filho para dormir noite após noite, você precisa fazer algumas perguntas a si mesmo. Primeiro, você está a ser calmo o suficiente toda noite? O cérebro humano é muito sensível a atmosferas emocionais e à percepção de emoções que você pode estará sentir.

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Há uma atmosfera de paz e segurança no quarto dele, com luzes fracas para activar a hormona do sono, a melatonina? O seu filho está cansado o suficiente? Ele faz actividade física durante o dia? Propicie oportunidades para ele brincar ao ar livre da parte de tarde sempre que possível.

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Há alguma coisa perturbando-o em casa ou na escola, de forma que ele não se sinta seguro para dormir? Você o critica com frequência? Ele grita muito com você? Se ele acha que o relacionamento entre vocês dois não é sólido, ele pode sentir medo de deixá-lo sair de perto de noite.”

Fonte: The Science of Parenting, de Margot Sunderland, 2006. Tradução de Flávia Mandic in http://solucoes.multiply.com/journal/item/55


Nota: Acima de tudo, experimentar uma rotina com horários certos para dormir acaba por resultar a maior parte das vezes. Escolha uma rotina para adormecer.

- Sugestão: banho-jantar-momentos de partilha em família- história-leite-cama!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Brincadeira - Como entreter os nossos filhos

"Para entreter uma criança com idade entre um e três anos não é preciso contratar um palhaço, nem comprar-lhe a loja de brinquedos em peso. O que faz falta é ensinar-lhe a brincar.

NINGUÉM NASCE SABENDO BRINCAR

É algo que tu lhe tens de ensinar. Precisa que tu lhe fales, lhe expliques o que pode fazer com o comboio de trem, com as argolas...

Não podes limitar-te a tratar fisicamente da criança e depois deixá-la entregue a si mesma: que ela se desembarace e se divirta. Entretanto, continuas com os trabalhos domésticos ou sais de casa deixando a criancinha na companhia de uma pessoa enfadonha, que não faz a mais pequena idéia de como entreter os miúdos.

Por muito que te esforces por lhe comprares a boneca da moda, se não lhe ensinares a brincar com ela acabará por se aborrecer e por a deixar abandonada nalgum canto da casa.

Mas fazer isto não é assim tão difícil. Só é preciso um pouco de vontade e de tempo da tua parte.

No dia do aniversário oferece-lhe um balde de legos para montar. Se passares algum tempo, em dias alternados ou aos fins de semana, a manejar as peças com o pequenito, ao fim de algum tempo será capaz de passar horas com o brinquedo, muito divertido.

Se, pelo contrário, lho dás tal e qual como veio da loja e nunca mais lhe ligas, acabarás por ter as peças todas espalhadas num cesto de brinquedos a abarrotar, e a criatura aborrecidíssima, agarrada às tuas saias e a pedir-te que lhe ligues a televisão, enquanto tu, desesperada, te lamentas com o teu marido por teres gasto o dinheiro naquele brinquedo, que acabou por ser posto de lado ao fim de dois minutos.

"O meu filho de dois anos tem toda a espécie de brinquedos e não se entretém com nada."

Este é um grande erro: que a criança tenha à sua disposição e ao seu alcance todos os brinquedos

Rapidamente se fartará deles e não brincará com nenhum.

É mais aconselhável deixar uns quantos à vista, como elemento decorativo, para alegrar o quarto, e o resto guardá-los à custódia da mãe. De quando em quando tiras da gaveta um brinquedo, que o teu filho não via há três meses, e julgará que é novo. Ensinas-lhe a brincar com ele e de certeza que passa uns quantos dias divertidíssimo com a novidade, que depois voltas a guardar para outra oportunidade.

Quais as vantagens desta forma de actuar?
- A criança está continuamente a receber novidades, somente porque há rotação dos mesmos brinquedos.
- Poupas um dinheirão em bonecas e carrinhos novos. Ao guardá-los durante uns tempos e depois fazê-los aparecer, parecem novos à criança e a tua bolsa agradece
.

Um programa educativo
A atividade lúdica é, nos primeiros anos, praticamente o único meio de chegar à criança, de te meteres na sua vida.
Podes educar a criança através da brincadeira
Podes mostrar-lhe comportamentos, atitudes e virtudes que deve seguir. Não veja
s nas brincadeiras apenas um meio de entretenimento, mas também a melhor arma para educar uma criança nos primeiros anos.

A atividade lúdica serve tanto para entreter como para educar

Deves conjugar numa só atividade o entretenimento e a educação. O vosso filho assimilará, da forma mais natural, simples e divertida, o princípio de que há umas normas que têm de reger a sua vida. Se fazes da educação um jogo durante os primeiros anos, não será difícil à criança ser arrumada, obediente, carinhosa, etc., porque assimilou tudo isso sem traumas, como num jogo.

As brincadeiras devem estar sempre integradas num programa educativo

Devem estar minuciosamente elaboradas pelos pais. Deste modo, o jogo que ensinas ao teu filho não é um jogo qualquer, mas sim um jogo cujo objetivo é desenvolver a sua imaginação, a sua memória, obediência, etc., passando uns momentos divertidos:

-· Se queres que seja arrumado, inventa o jogo "A ver quem apanha tudo primeiro: a mãe ou o menino ?". Quem ganhar terá um prêmio.

- Se queres desenvolver a sua imaginação, brinque com máscaras, ou dê-lhe massa de modelar para que molde um boneco ou uma bola.

- Para que aprenda a preocupar-se com os outros, põe-no a cuidar dos bonecos: que lhes dê banho, que os vista, que lhes dê de comer...

- Quando fizeres doce, convida-a a ajudar-te. Aos poucos aprenderá a gostar de cozinhar.

- Se der um pano de pó à pequenita de três anos, ficará radiante por ir atrás de ti limpar o pó. Assim se habitua a ter a casa limpa.

- Enquanto costuras, podes animá-la a fazer o mesmo com um trapinho, e assim começará a gostar de costura.

- A partir dos dois anos e meio uma criança pode ficar encantada por ter encargos. Sente-se muito importante e é uma maneira de começar a dar-lhe responsabilidades.

- Habitua-a a escutar e a compreender os contos, para captar a sua atenção. Uma criança a quem tenhas lido muitas histórias desde pequena, não terá qualquer dificuldade, a partir dos dois anos e meio, em escutá-los atentamente numa fita de gravador ou disco, enquanto tu estiveres ocupada.
Se a criança já fala, podes pedir-lhe que vos conte. É um bom método para que aprenda a memorizar e, mais tarde, para compreender o que lê.

- Música: põe um disco e faz com que dance ao ritmo da melodia. Pouco a pouco a criança irá educando o seu sentido musical.

- Ginástica: arranja um colchão velho e põe-no no chão para que possa dar cambalhotas. Põe um sofá no quarto do pequeno, onde possa saltar sem perigo e sem estragar nada. É um modo de a habituar ao exercício físico, tão saudável para o corpo.

- Casinhas: construa uma com os mais variados materiais, como almofadas, caixas... Hás-de ver como se diverte voltando a fazê-la e dando largas à sua imaginação.

- Trazer amiguinhos - melhor dito, os filhos das amigas da mãe - para brincar em casa, ajuda-a a sociabilizar-se e a abrir o seu ego; aprende a compartilhar.

- Jogos educativos, como puzzles (quebra-cabeças), são de grande utilidade. Ajudam a criança a saber discorrer corretamente.

- Água: pode passar horas metendo e tirando bonecos de dentro de água. É um modo de fazer com que goste de tomar banho em casa, e depois, na piscina.

No início, o pai e a mãe devem fazer estas coisas com o filho. Com o tempo, a criança brincará sozinha.
As saídas diárias ao parque, enquanto não freqüenta uma escola, são indispensáveis na vida da criança. Toma contato com a natureza, faz exercício e relaciona-se com outros meninos.
Aos fins-de-semana procura levar o teu filho para fora da cidade, para o campo. Aos poucos ir-se-á habituando a amar a natureza. Mostra-lhe as flores, as árvores, as plantas, o céu...
CONTINUA :
Regras de ouro para usar os brinquedos

Dá-lhe os brinquedos adequados à sua idade" (IIparte)

Do livro "Os teus filhos de 1 a 3 anos", de Blanca Jordán de Urríes, Coleção Fazer Família, Editora Rei dos Livros

Para ler o artigo completo já, clique:

sábado, 15 de agosto de 2009

Antes de ser mãe

Antes de ser mãe, eu fazia e comia
os alimentos ainda quentes.
Eu não tinha roupas manchadas,
tinha calmas conversas ao telefone.

Antes de ser mãe, eu dormia o quanto eu queria,
Nunca me preocupava com a hora de ir para a cama.
Eu não me esquecia de escovar os cabelos e os dentes

Antes de ser mãe,
eu limpava minha casa todo dia.
Eu não tropeçava em brinquedos e
nem pensava em canções de ninar.

Antes de ser mãe, eu não me preocupava:
Se minhas plantas eram venenosas ou não.
Imunizações e vacinas então,
eram coisas em que eu não pensava.

Antes de ser mãe,
ninguém vomitou e nem fez xixi em mim,
Nem me beliscou sem nenhum cuidado,
com dedinhos de unhas finas.

Antes de ser mãe,
eu tinha controle sobre a minha mente,
Meus pensamentos, meu corpo e meus sentimentos,
e dormia a noite toda.

Antes de ser mãe, eu nunca tive que
segurar uma criança chorando,
para que médicos pudessem fazer testes
ou aplicar injeções.
Eu nunca chorei olhando pequeninos
olhos que choravam.
Nunca fiquei gloriosamente feliz
com uma simples risadinha.
Nem fiquei sentada horas e horas
olhando um bebê dormindo.

Antes de ser mãe, eu nunca segurei uma criança,
só por não querer afastar meu corpo do dela.
Eu nunca senti meu coração se despedaçar,
quando não pude estancar uma dor.
Nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina,
pudesse mudar tanto a minha vida e
que pudesse amar alguém tanto assim.
E não sabia que eu adoraria ser mãe.

Antes de ser mãe, eu não conhecia a sensação,
de ter meu coração fora do meu próprio corpo.
Não conhecia a felicidade de
alimentar um bebê faminto.
Não conhecia esse laço que existe
entre a mãe e a sua criança.
E não imaginava que algo tão pequenino,
pudesse fazer-me sentir tão importante.

Antes de ser mãe, eu nunca me levantei
à noite toda, cada 10 minutos, para me
certificar de que tudo estava bem.
Nunca pude imaginar o calor, a alegria, o amor,
a dor e a satisfação de ser uma mãe.
Eu não sabia que era capaz de ter
sentimentos tão fortes.

Por tudo e, apesar de tudo, obrigada Deus,
Por eu ser agora um alguém tão frágil
e tão forte ao mesmo tempo.

Obrigada meu Deus, por permitir-me ser Mãe!

Silvia Schmidt

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

SÍNDROME DE MORTE SÚBITA NO BEBÉ

O síndrome de morte súbita é definido como a morte súbita e “ inesperada de um lactente ou criança pequena” ( CLAYDEN e LISSAUER, 2002 p. 66), durante o sono. Ocorre usualmente durante o primeiro ano de vida sem aviso prévio num bebé saudável (Sociedade Portuguesa de Pediatria, 2009).

Estudos realizados nestes últimos anos, são consensuais a afirmar que há maior risco de morte súbita do lactente quando é colocado para dormir na posição ventral (de barriga para baixo). Esta posição tem grande influência porque poderá diminuir o despertar do sono dos bebés saudáveis e de termo (GEIB e NUNES, 2006).

Embora se aborde como um importante factor de risco a posição ventral (barriga para baixo) de dormir do bebé existem outros factores de risco, que tanto os pais como os cuidadores dos bebés devem estar despertos e reduzi-los ao máximo.

Entre esse factores destacam-se:
- o tabagismo
- má vigilância pré-natal (da gravidez)
- partilhar a cama dos pais durante o sono, especialmente quando estão muito cansados
- o uso de edredons
- dormir com a cabeça coberta,
- sobreaquecimento (excesso de calor)

RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE PORTUGUESA DE PEDIATRIA (2009) REFORÇAM:


Os lactentes devem dormir sempre em decúbito dorsal (de barriga para cima), salvo excepções indicadas pela equipa de saúde.
A adopção desta posição para o bebé dormir, é vista com alguma desconfiança tanto pelos pais como pelos profissionais, principalmente pelo risco de aspiração do vómito. Os estudos também demonstram que não houve aumento do número de aspirações de vómitos com a sua utilização. Todavia também a posição lateral (de lado) também pode ser utilizada, no entanto, verifica-se que não é tão segura. Quando o bebé está acordado e sob vigilância, poderá e deverá estar em posição ventral, para fortalecer os músculos do pescoço e das costas.

A cama deve ser apropriada ao bebé
O colchão deve ser certo à estrutura do berço e firme, utiliza-se lençóis e cobertores, as grades devem permanecer na cama até aos dois anos. Os lençóis e cobertores devem ser presos sob o colchão até à altura do tórax (um pouco abaixo dos ombros), os pés têm de estar encostados à parte inferior do berço, diminuindo assim o deslizamento do bebé e provável asfixia (sufocamento). A cabeça do bebé não deve estar coberta e ter atenção que os cobertores não devem ser pesados nem se devem usar edredons.

Evitar o sobreaquecimento do bebé
A temperatura do quarto deverá rondar os 18 a 21ºC. A roupa do bebé deve estar adequada à época do ano e às condições habitacionais, evitando o sobreaquecimento mas também a hipotermia (frio). Se o bebé tiver febre deve-se diminuir a quantidade da roupa proporcionando o arrefecimento periférico (arrefecimento físico).

Não colocar o bebé na cama dos pais para dormir
Existe maior risco de asfixia se o bebé dormir na cama com os pais, especialmente se estão muito cansados, se são fumadores, se ingeriram medicamentos que induzem o sono.

Evitar fumar durante e após a gravidez
Deve-se evitar que o ambiente em que o bebé esteja seja poluído pelo tabaco. Actualmente sabe-se também que o risco de morte súbita aumenta se a mãe fumou durante e após a gravidez e que esse risco tende a agravar-se se o pai também fuma.



A amamentação do bebé é um factor de prevenção apontado, contribuindo para que haja menor incidência de infecções tanto respiratórias como gastrointestinais (BARROS, 2001).


Os pais/cuidadores devem estar despertos para estes factores de risco. O seu conhecimento é fundamental para minimizar o síndrome de morte súbita no lactente.
A educação para a saúde realizada no sentido de não colocar o bebé na posição ventral, tem reduzido a incidência deste síndrome.

Marisa Leite, Enfermeira do Centro de Saúde de Santa Maria da Feira
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BIBLIOGRAFIA
GEIB, Lorena Teresinha Consalter; NUNES, Madga Lahorggue – Hábitos de sono relacionados à síndrome da morte súbita do lactente: estudo populacional em linha. Caderno de Saúde Pública, nº22 (Fev. 2006), p. 415-423 Consult. 9 de Junho de 2009. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/csp/v22n2/19.pdf LISSAUER, Tom ; CLAYDEN, Graham - Manual Ilustrado de Pediatria. 2ª ed.. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2003. 410 p. ISBN 85-277-0793-4. NUNES, Madga Lahorggue – Distúrbios do Sono em linha. Jornal de Pediatria. Vol. 78, Supl.1 (Julho/ Agosto 2002) , p. 63-72 Consult. 9 de Junho de 2009. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572002000700010&lng=en&nrm=iso&tlng=pt OPPERMAN, Cathleen S. ; CASSANDRA, Kathleen - Enfermagem Pediátrica Contemporânea . trad. Isabel Albernaz. Loures, 2001. 587 p. ISBN 972-8383-19-3. http://www.spp.pt/noticias/default.asp?IDN=116&op=2&ID=132 http://www.spp.org.br/sindrome.htm

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Divirta-se!

Achei este vídeo divertido e com uma linda mensagem. Recomendo que o mostre aos seus filhotes, vão divertir-se concerteza e, saber, que todos têm direito a nascer e a uma família!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A CHUPETA... SERÁ PARA OS FILHOS, OU PARA OS PAIS?

O reflexo de sucção é inato, pelo que muitos bebés já chucham no dedo dentro da barriga da mãe.
Quando nascem, basta tocar-lhes na boca ou bochecha que começam a abrir e a fechar a boca em movimentos contínuos. Por isso, a maioria dos bebés aceitam facilmente quando os pais lhe oferecem a chupeta. Consequentemente, os pais sentem-se aliviados, porque finalmente vêm o seu filho quieto e calado.
Outros bebés, mais determinados, recusam a chupeta, mas os pais também obstinados experimentam todas as formas possíveis por convencer os seus filhos de que precisam mesmo da chupeta.


A Organização Mundial de Saúde preconiza que nos Hospitais / Centros de Saúde Amigos dos Bebés não entram chupetas, sendo esta uma medida de protecção ao aleitamento materno. Isto, porque segundo vários estudos, os bebés que começam a usar chupeta logo à nascença têm tendência para mamar menos, porque a chupeta e a mama exigem modos de sucção diferentes. Assim, se um bebé se habitua a chuchar na chupeta, pode ter mais dificuldade em mamar na mama convenientemente. Além disso, um bebé que está sempre com a chupeta na boca está tão entretido que pede menos vezes para mamar.
A chupeta também favorece o desenvolvimento de otites, pode atrasar o desenvolvimento da linguagem, provoca dependência e pode provocar deformação dentária se o hábito se prolongar para além dos 2 anos.

A chupeta tranquiliza o bebé, e por isso serve de tranquilizante para os pais, no entanto esta medida deve estar sempre no topo da pirâmide, ou seja como último recurso.
Primeiramente é importante que os pais aprendam o conhecer o seu bebé e a interpretar os seus tipos de choro (fome, colo, frio, fralda suja, calor…) e ajam de acordo com a situação.
Se um bebé chora porque lhe falta algo é errado tentar adiar ou colmatar a resolução do problema através da chupeta.

Seguidamente sugerem-se alguns truques para as situações em que o vício da chupeta já está instalado:

  • Tente que a criança comece a usar a chupeta apenas para adormecer, reduzindo aos poucos a dependência;
  • Comece a preparar psicologicamente a criança para o adeus à chupeta. Diga-lhe que já está a ficar crescida e que por isso, não precisa de chupeta;
    Use a chupeta como moeda de troca para aquele brinquedo que o seu filho lhe anda a pedir;
  • Aproveite as épocas festivas, dado que são boas alturas para a criança se separar da chupeta;
  • Se nascer algum bebé na família sugira-lhe que dê a chupeta;
  • Além dos pais, ninguém mais deverá interferir no processo.


Este processo não deverá ser forçado, dado que o adeus à chupeta é um processo natural e portanto, vai acontecer mais tarde ou mais cedo.

Marisa Leite, Enfermeira do Centro de Saúde de Santa Maria da Feira, a realizar estágio da especialização em Saúde Materna e Obstetrícia

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BIBLIOGRAFIA
· Curso de conselheiras em aleitamento materno, DFEP, Hospital Infante D. Pedro, Setembro de 2008.
· OMS/UNICEF (1993) – Aconselhamento em amamentação: Um curso de treinamento. Manual do participante. 180 p.;
· OMS/UNICEF (1 DE Agosto de 1990) – “Declaração de Inocenti, protecção, promoção e apoio do aleitamento materno”, Nossos Arquivos, Grupo ORIGEM;
· http://www.leitematerno.org/hiperlig. htm.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Chegaram as férias... Actividades para realizar em família!

Chegaram as férias e com elas maior disponibilidade para realizar actividades diferentes com os nossos filhos.

As férias servem efectivamente para quebrar a rotina que vivemos durante 11 meses. Portanto, nada de tarefas escolares… Vamos aproveitar para realizar actividades que nos dão prazer e que fomentem a relação pais-filhos, tornando umas férias inesquecíveis.

Ficam algumas sugestões. Vale a pena seguir algumas delas:

- Preparem uma refeição juntos. A criança pode aprender muito mais do que se imagina numa cozinha e ficará orgulhosa por saber que é capaz de contribuir para as tarefas domésticas. Escolha um prato fácil de confeccionar e explique a importância de cada ingrediente (se é fonte de vitaminas, de gorduras, de hidratos de carbono, etc)
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- Faça caminhadas por locais aprazíveis, preferencialmente por espaços verdes.
Pode também aproveitar para caminhar na praia, junto ao mar. Durante a caminhada observem, em conjunto, cada detalhe (as ondas, as conchas, as folhas a mexer com o vento, as gaivotas a voar, os passarinhos a cantar, as formigas a trabalhar…)

- Leia com o seu filho. Deixe-o escolher um livro e aproveite para teatralizar a história, construindo um cenário… Verá que isso estimulará a imaginação e criatividade do seu filho!

- Escolha um jogo que possa envolver todos os membros da família (tipo monopólio). Verá que além de estimular a inteligência, servirá para passar um bom serão em família

- Cante e dance com os seus filhos. Seleccione as músicas preferidas e dance com eles. Mexa o corpo e a mente. É uma óptima opção para relaxar e se divertir!


- Faça uma guerra de almofadas e travesseiros. Já viu gargalhada mais gostosa?

- Ande de bicicleta ou pratique outro desporto com o seu filho, que seja da preferência dos dois.

- Conversem, conversem, conversem!! Sobre qualquer assunto, tagarelar é uma delí­cia!

- Desenhe e pinte! Colocar a imaginação num papel, com cores e texturas é uma maravilha em qualquer idade!


- Convide alguns casais amigos para ir a sua casa, de forma a proporcionar momentos de partilha e convívio entre as crianças.

- Brinque muito ao ar livre (no jardim de sua casa, no parque, na praia, no campo…)

- Decore caixas de papelão de diversos tamanhos com o seu filho e construa castelos, torres e fortalezas!

- Plante uma planta no jardim ou num vaso e ensine o seu filho a cuidar dela (a regar, a tirar as folhas secas…)
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Ficam aqui algumas sugestões. O que importa é aproveitar as férias para passar verdadeiros momentos de lazer e prazer em família.

Conversem muito, riam, divirtam-se, ousem quebrar a rotina e sobretudo seja feliz e faça os seus familiares felizes!
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_________________________ Vânia Coimbra

quinta-feira, 9 de julho de 2009

GESTÃO COMPORTAMENTAL:Estratégias para os pais - III parte

Lidar com o “mau comportamento”

As crianças nascem e têm que aprender a viver numa sociedade que tem determinadas regras. Estas regras existem para que a convivência entre as pessoas seja boa.

Os pais têm um papel chave na preparação da criança para a aprendizagem de capacidades sociais, como, por exemplo, tomar a perspectiva do outro, negociar e resolver problemas. Aos poucos a criança vai acumulando informação e passa a compreender aspectos como o respeito pela autoridade, a amizade, os costumes e as regras.

A disciplina é uma forma de ajudar as crianças (que não conhecem as regras da sociedade) e inserirem-se de forma adequada.
Assim, falar de disciplina é falar de regras.

Por exemplo, num jogo de futebol existe um conjunto de regras que permitem que o jogo aconteça. Quando um jogador (que não seja o guarda-redes) toca na bola com a mão, é falta, ou seja, vai sofrer um castigo. Quanto mais claras e simples forem as regras do jogo, mais fácil é a sua aprendizagem.

Na sociedade em que vivemos, é a mesma coisa. Para aprender a viver em sociedade, a criança precisa de um modelo, um adulto que lhe ensine essas regras.

Num momento ou noutro, todas as crianças mentem, tiram coisas que pertencem aos outros, agridem, gritam ou desobedecem.
A diferença entre estes comportamentos e aquilo que os psicólogos consideram como um problema de comportamento está na gravidade dos comportamentos, na duração, na frequência, no aparecimento dos mesmos em mais do que um contexto (em casa e na escola, por exemplo) e na sua persistência através do tempo, com início numa idade muito jovem.

Há crianças que, apesar de já estarem numa etapa mais avançada do seu desenvolvimento, continuam a apresentar comportamentos como birras e desobediência.
Isso pode significar que esses comportamentos estão a ser inadequadamente reforçados, que não têm consequências e a criança está a obter o que deseja, mesmo com o mau comportamento, e por isso os comportamentos persistem.

Educar uma criança exige energia e paciência.
Energia porque algumas crianças são mais difíceis de controlar do que outras e paciência para definir a melhor forma de lidar com o comportamento no momento em que este surge, sem ser impulsivo.

A criança levou meses ou mesmo anos a desenvolver os seus comportamentos e, portanto, não é de um momento para o outro que os vai alterar.
É preciso paciência...
A aplicação de estratégias adequadas deve ser sistemática, persistente e continuada,
reforçando sempre as pequenas vitória


Há uma regra muito importante:

Separar a criança do seu comportamento!

Se o objectivo da disciplina é aumentar o bom comportamento e acabar com o mau comportamento, é para o mau comportamento que se devem dirigir os comentários, não para a criança!

Queremos acabar com o mau comportamento! ELE é o INIMIGO a abater
Não diga:
“Assim não gosto mais de ti,
diga “Não gosto que faças isso...!”.


ESTRATÉGIAS DE CONTROLO DO COMPORTAMENTO INADEQUADO

1. Reforço positivo dos comportamentos adequados

Consiste na apresentação de uma consequência positiva após um comportamento adequado. Essa consequência fortalece o comportamento e aumenta o número de vezes que ele poderá aparecer. Significa elogiar situações em que o”mau comportamento” não aparece.
O reforço positivo pode ser dado sob a forma de:

- elogios (ex.: “Muito bem, estou muito contente contigo!”)
- afecto físico (ex.: beijos, carícias, etc.)
- recompensas (ex.: ler uma história, comer pizza, chocolates, jogos, livros, brincadeiras, gelados, brinquedos, sobremesa favorita, etc.)

- Deve ser fornecido imediatamente após o comportamento adequado acontecer;
- Não deve ser combinado com uma crítica (ex.: “a cama está feita, mas já a podias ter feito logo que te levantaste e não agora!...”);
- Deve ser importante para a criança e variar ao longo do tempo;
- Devem centrar-se no comportamento adequado, de forma a aumentar a probabilidade de ele voltar a acontecer. Por exemplo: “gosto muito quando arrumas o teu quarto!”.

Assim, o comportamento que agrada aos pais foi especificado, deixando claro para a criança que terá sempre a sua aprovação ao faze-lo;

- Os elogios devem ser feitos de forma sincera;

- Os reforços não devem ser só guardados para os comportamentos excelentes, qualquer pequeno esforço que signifique uma mudança ou aproximação ao comportamento desejado

2. Usar punição moderada

Consiste num método de alteração do comportamento em que é apresentado à criança um acontecimento desagradável ou retirado um estímulo positivo (por exemplo, o brinquedo ou o programa de televisão preferido) como consequência de um comportamento inadequado. A intenção é que este comportamento diminua de frequência, duração e intensidade.

Não esquecer…

- A criança não deve ser punida por tudo o que faça de errado (o que não significa que não seja repreendida), mas pelos comportamentos considerados mais desadequados;

- Tanto a punição como as recompensas devem ser seguidas ao comportamento; períodos de tempo alargados não resultam;

- Antes de iniciar o uso da punição moderada os pais devem usar o reforço positivo dos comportamentos que querem ver repetidos pela criança. Isto irá ensinar à criança aquilo que esperam que ela faça;

- Deve ser retirado um privilégio (por exemplo, comer sobremesa) ou uma actividade preferida da criança (por exemplo, ver o programa de televisão preferido) em função do comportamento inadequado;

- A punição deve ser uma consequência do comportamento inadequado, de forma a que a criança compreenda a relação causa-efeito: “atiraste brinquedos à tua irmã, então vais ficar até amanha sem brincares com eles”.

Para as crianças os actos significam muito mais do que as palavras.

- O uso da punição deve ser consistente ao longo do tempo, ou seja, quando a criança for punida por um comportamento deve ser sempre punida quando apresenta esse mesmo comportamento;

- A punição não deve ser usada por períodos indeterminados mas sim por um período estabelecido (por exemplo, não arrumaste o teu quarto, não vês hoje o teu programa de televisão favorito). No dia seguinte a criança deve ter oportunidade de apresentar um comportamento adequado e ter uma recompensa;

- A punição deve ser suficientemente desagradável para que a criança se sinta motivada para alterar o seu comportamento;

- Não deve ser aplicado sempre o mesmo tipo de punição, pois estas perdem o seu efeito com o passar do tempo.

- Um tipo de punição muito eficaz é a “pausa”.


Consiste em retirar a criança do local onde está a apresentar os comportamentos inadequados e colocá-la num local vazio de entretenimentos, de forma a interromper esses comportamentos e não ser indevidamente reforçada com a atenção das pessoas.

…Como usar a pausa?

A pausa pode ser usada quando a criança apresenta os seguintes comportamentos: agressividade, birras, provocações, comportamentos inadequados à mesa e desobediência.

Pausa: Alguns cuidados a ter em conta:

a)Seleccionar um ou dois comportamentos alvo para iniciar o uso da pausa (por exemplo, os mais graves), pois caso os pais comecem a utiliza-la para muitos comportamentos, a criança correrá o risco de passar muito tempo na pausa, o que não é adequado;

b)Escolher um local que não tenha distractores, mas que não seja assustador;

c)Num primeiro momento os pais devem pedir à criança para interromper o “mau comportamento” (pré-aviso): “Joana, pára de gritar com o bebé ou vais para a pausa”. Caso a criança não obedeça no próximo minuto, vai imediatamente para a pausa.

d)Sempre que os comportamentos seleccionados aconteçam, a criança deve ser mandada para a pausa;

e)Quando mandam a criança para a pausa, os pais devem olhar para a criança e usar um tom de voz e postura firmes: “Estou a avisar-te que se não obedeceres à mãe/ pai vais 5 minutos para a pausa”;

f)Usar imediatamente após o comportamento inadequado, sem sermões a acompanhar;

g)Não discutir com a criança enquanto estiver na pausa, ou seja, nada de discussões;

h)Os comportamentos que não são observados pelos pais não devem ser punidos com a pausa;

i)Caso tenha sido pedida uma tarefa à criança e ela não cumpra com este pedido depois de sair da pausa, deve ser usada a punição moderada (por exemplo, não brincar com os amigos naquele dia);

j)Nada que a criança faça, peça ou prometa poderá evitar que a pausa seja implementada.

k)A criança deve ficar na pausa um minuto por cada ano de idade. Exemplo: 8 anos, 8 minutos.

- Se a criança se recusar a ir para a pausa, deve ser retirado um privilégio (por exemplo, brincar com as bonecas) e este só é reobtido quando cumprir o tempo determinado em pausa.
- Se a criança sair da pausa sem permissão deve ser dado o aviso de que se não voltar terá que cumprir o triplo do tempo e que será aplicada uma punição.

Este aviso deve ser dado apenas uma vez e com um tom de voz firme. Caso ela não volte, é imediatamente punida, sem discussões.

- Se a criança desarrumar as coisas durante a pausa, insistir para que arrume tudo antes de sair da pausa.

- Depois de terminada a pausa, não repreenda, ralhe ou censure a criança. Ela já cumpriu o castigo
!

3. Ignorar o mau comportamento (não prestar atenção)

Alguns comportamentos devem ser ignorados, por exemplo, birras, gritos, mau humor, choro, “queixinhas”, pendurar-se na mãe quando fala com outra pessoa, etc.
Esta estratégia só deve ser usada com comportamentos de pouca gravidade.

Os pais devem envolver-se noutras actividades, fingir que não estão a ouvir, virar as costas ou sair de perto da criança. É importante que ao ignorar não mostrem raiva ou impaciência, isso seria dar atenção ao mau comportamento.

4. Fazer pedidos de forma eficaz

Não esquecer...
- Os pais devem decidir o que realmente querem que a criança faça;

- Os pedidos devem ser apresentados de forma directa e não sob a forma de questão ou como se estivessem a pedir um favor;

- Os pedidos devem ser feitos de uma forma clara, para que a criança compreenda e obedeça.
Por exemplo, “Maria, arruma agora estes brinquedos no caixote do teu quarto” é diferente de “Tira estes brinquedos daqui.”

- Devem ser dados comandos simples e não confundir a criança;

- Os pais devem olhar directamente para a criança (não deve ser dada uma ordem na cozinha, estando a criança no quarto);

- Os elementos que distraem a criança devem ser reduzidos antes de ser feito o pedido. Por exemplo, se a criança está a jogar um jogo de computador, o pai deve dizer-lhe para desligar e depois pedir para lavar as mãos e ir para a mesa.

- Quando necessário, a criança deve repetir o pedido para os pais se certificarem que ela compreendeu o que foi pedido. A repetição correcta deve ser elogiada;

- A criança deve ser reforçada pelo comportamento de obediência e deve ser usada a punição moderada caso não obedeça.

5. Dizer não quando é preciso

Quando acharem adequado, os pais devem usar essa palavra sem medo e mantê-la até ao fim. Não é não.
Quando os pais permitem tudo à criança, impedem-na de reconhecer os seus limites e favorecem uma posição poderosa em que não tem em conta o sentimento dos outros. Saber que existem limites ajuda a criança a saber o que esperam dela e com o que pode contar.
Se a situação justificar, os pais podem explicar rapidamente porquê estão a dizer “não”, mas não devem voltar a repetir, nem entrar em discussão ou fazer discursos moralistas. Caso ela insista em pedir o que seja, devem ignorar.

6. Escolhas e consequências

Dar uma escolha à criança, ensinando-a a ter um papel activo nas suas próprias decisões e ser responsável pelo seu próprio comportamento. Por isso, é importante para a criança saber que a sua escolha terá uma consequência. Esta consequência não deve ser referida como um castigo mas como resultado da escolha que a criança fez. Além disso, a criança deve saber antecipadamente que determinado comportamento terá

determinada consequência, ou seja, não estamos a preparar armadilhas para ninguém.
Exemplo: “Se não arrumares o teu quarto não vais brincar com os primos.”

7. Primeiro..., depois...

Primeiro as tarefas que quer que a criança faça, depois as actividades que a criança gosta/ quer fazer.
É útil para implementar tarefas menos motivadoras para a criança.
Exemplo: Rui, os teus amigos estão lá fora. Podes sair logo depois de arrumar o quarto.

8. Consequências lógicas e naturais

Aquilo que aconteceria sem a intervenção de um adulto.
Exemplos:
- A criança parte o lápis a um colega, tem como consequência dar-lhe um lápis novo ou dar-lhe o dinheiro para comprar outro;
- A criança suja a mesa, limpa-a;
- A criança parte um brinquedo, fica sem ele, não lhe dão outro.

9. Trabalho extra

É importante sobretudo para comportamentos mais sérios, como mentir, roubar ou destruir propriedade.
Exemplo: se a criança mentiu, tem como consequência varrer a entrada da sala durante 10 minutos.

Esteja preparado para o “mau comportamento” aumentar.
Frequentemente, as coisas pioram uns dias
antes de começarem a melhorar.

Dê o seu melhor, seja paciente e persistente.
E continue a não esquecer que...

 - É muito importante para um desenvolvimento saudável das crianças que os pais partilhem alguns momentos de “brincadeira” com elas, isto é, disponibilizar alguns minutos diários para estar com a criança a fazer algo que ela gosta e a comunicar sem fazer críticas ou impor exigências;
 - É muito importante valorizar as competências das crianças, isto é, elogiá-las e salientar que há coisas que fazem bem (ex: desenhar, cantar, jogar à bola…).



 - Para que uma criança se sinta motivada e interessada na escola, deve perceber que aos pais acham importantes as suas aprendizagens e dão atenção aos seus sucessos. Assim, a melhor forma de ajudar uma criança a interessar-se pelas aprendizagens escolares é acompanhando-a e dando apoio nas tarefas diárias como os T.P.C..

João Figueiredo (Psicologo Clinico)

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