terça-feira, 18 de dezembro de 2007

O choro do bebé

Porque chora o meu bebé?

A primeira coisa que o bebé faz logo que nasce é chorar. Esta situação é deveras importante, na medida em que graças ao primeiro choro ocorre a transição da circulação fetoplacentária para a respiração independente.

O choro permite ao bebé inspirar o ar, expandir os pulmões e realizar as trocas gasosas que asseguram o eficaz funcionamento do seu organismo e a adaptação à vida extra-uterina.

Neste sentido, o choro é normal nos bebés ainda que seja, frequentemente, causa de ansiedade e desespero de muitos pais e famílias.
O bebé é incapaz de dizer o que precisa ou o que sente, recorrendo, desta forma, a sinais corporais, como mexer os pés e as mãos energeticamente, virando constantemente a cabeça, entre outros.
No entanto, o choro é o melhor instrumento de comunicação que o bebé possui, permitindo-lhe chamar a atenção do meio que o envolve do modo mais rápido e eficaz.

Nas primeiras semanas os pais sentem maior dificuldade em descodificar o choro do seu bebé, mas com o tempo e à medida que vão interagindo com o filho, aprendem a reconhecer certas diferenças no choro e a agir de acordo com as necessidades do bebé.

Eis algumas das causas mais comuns porque chora um bebé:

1 - Causas de Desconforto Físico

- O choro devido a fome
Provavelmente, o choro devido a fome será o tipo de choro mais facilmente identificável para a mãe do bebé.
Caso a hora da refeição esteja próxima, este poderá ser, realmente o motivo do choro.
Ao chorar de fome o bebé tende acalmar-se ao ver que a sua refeição está a ser preparada.
Por exemplo, no caso de estar a amamentar, se lhe pegar ao colo e o encostar ao peito, se pegar no biberão e no babete, se sentar o bebé na cadeirinha, o bebé ficará menos agitado diminuindo o choro.

Por vezes, apesar do bebé chorar devido a fome, quando é colocado ao peito ou ao biberão, recusa e recomeça a chorar. Se esta situação surgir é aconselhável que observe a proeminência do seu mamilo e o volume do seu seio, verificando se o volume de leite é suficiente para as necessidades do bebé.

No caso da alimentação por biberão, verifique se o orifício da tetina se encontra obstruído, se o leite apresenta uma temperatura adequada e se o bebé está numa posição confortável.

- O choro depois de comer
Pode acontecer que, depois de lhe ter dado a mamada ou o biberão normais, o bebé recomece a chorar, como se ainda não tivesse comido. De facto, à medida que o bebé cresce, é natural que aumente as suas necessidades e nutricionais daí que seja possível que o bebé chore por ainda não se encontrar saciado. Neste sentido, terá que aumentar a dose de alimento, para que o bebé permaneça satisfeito até à refeição seguinte.

- O choro devido a sede
O bebé também pode chorar devido a sede, embora este tipo de choro seja menos frequente no lactente, já que o leite materno e os leites adaptados satisfazem simultaneamente as necessidades hídricas e calóricas.

No entanto, em ambientes muito quentes e secos, como sejam locais com aquecimento artificial, no Verão, em viagens longas e no caso de se apresentar com diarreia, como forma de prevenir a desidratação ofereça ao bebé um pouco de água fervida arrefecida numa pequena colher ou num biberão.

- O choro devido à fralda suja ou molhada
O choro devido à fralda suja ou molhada é muito comum. A fralda deve ser mudada de forma a prevenir lesões e a manter a pele íntegra. É fundamental que os pais estejam atentos a possíveis irritações na região anal e genital.

- O choro devido a cólicas
Durante os três primeiros meses de vida é frequente os bebés terem dores abdominais por acumulação de gases. Numa cólica típica o bebé emite gritos estridentes, por vezes durante várias horas e, mais frequentemente, nas primeiras horas da noite, aliviando durante o dia. Geralmente apresenta um aspecto tenso e o abdómen fica distendido e duro. Uma massagem na barriga do bebé no sentido dos ponteiros do relógio pode ajudar ao alívio das dores.
Para evitar a acumulação de gases:
- Evite deixar o bebé muitas horas sem se alimentar, porque ao tentar comer mais depressa irá engolir mais ar;
- Adapte-o bem à mama ou, no caso de usar biberão, tenha o cuidado de o inclinar o suficiente para que a tetina esteja completamente preenchida por leite.
- No final de cada mamada segure o bebé com a cabeça e tronco em posição vertical, de forma a que ele arrote;
- Efectue com regularidade massagens na região abdominal.

- O choro devido ao calor e ao frio
O calor e o frio também podem ser motivos de desconforto físico e, consequentemente, provocar uma crise de choro. Os bebés, incapazes de regular eficazmente a temperatura corporal precisam de determinados cuidados de forma a ser satisfeita esta necessidade. Proteja o seu bebé apenas com a roupa necessária ao tipo de ambiente em que ele se encontra.

2 - Causas de Desconforto Emocional

- O choro devido ao cansaço
O cansaço pode ser responsável por prolongadas crises de choro. O bebé, ainda que fatigado, pode passar por um período de agitação (chorar e gritar de forma intensa e ruidosa e outras vezes baixinho e de forma monótona) até adormecer. O cansaço pode surgir caso a hora habitual do bebé ser deitado tenha sido alterada ou se está mais excitado por ter estado em ambientes estimulantes, excessivamente ruidosos e movimentados.

Nestas situações pode adoptar algumas estratégias para adormecer o bebé como sejam:
- Pegá-lo ao colo;
- Andar com o bebé ao colo de um lado para o outro, devagarinho;
- Cantar-lhe baixinho uma canção de embalar;
- Contar-lhe uma história, se o bebé já tiver idade para isso;

No entanto, não adormeça o bebé ao colo sistematicamente! Esta situação causa habituação despoletando que acorde e recomece a chorar assim que é colocado no berço. O ideal é que o bebé adormeça na sua cama.

- O choro devido à insegurança de estar sozinho
Alguns bebés choram quando se encontram sozinhos. Nesta situação vá habituando-o a permanecer sozinho por períodos cada vez maiores, embora seja importante que ele sinta o seu apoio e a sua presença quando necessita. Estimule-o a aprender a brincar sozinho, a concentrar-se nas actividades que está a desenvolver, de forma a que ele se torne gradualmente mais autónomo.
- O choro como reacção a estranhos
Quando o bebé se encontra no colo de alguém que não conhece poderá reagir, chorando. No entanto, não se preocupe pois é perfeitamente normal. As crianças aprendem, rapidamente a reconhecer as pessoas que lhes são próximas, em especial a mãe, reagindo a alguém que não faz parte do seu quotidiano.

Estas são algumas das razões pelas quais um bebé pode chorar. Esperamos que estas dicas ajudem a diagnosticar a causa do choro. Se o choro persistir, deve contactar um profissional de saúde.

Na nossa sociedade temos tendência a considerar a necessária prestação de cuidados ao bebé com desvelo, como sendo prejudicial ou sinónimo de “estragar com mimos”. No entanto, como foi abordado anteriormente, as causas do choro do bebé podem variar, e muitas delas devem-se a necessidades simples que têm de ser satisfeitas, para o seu bem-estar. Por isso, o choro de um bebé nunca deve ser menosprezado!

____________________________ Catarina Fonseca (enfermeira em estágio no Curso de Preparação para o Parto)
Bibliografia:
http://saude.bloguedobebe.com/45/Os-diferentes-choros-do-bebe/
http://www.bebes.com.pt/choro_bebe
BAYNHAM, Angela; ASGHER, Corinne; ESDEN, Anne. A mãe e o bebé. Porto. Editora Civilização, 2003.
COLLINS, Jane. Saúde do bebé e da criança. Porto. Editora Civilização, 2004.
MACKONOCHIE, Alison. Manual completo da gravidez e do beé – a gravidez semana a semana e a vida do bebé mês a mês. Lisboa. Editorial Estampa, 1997.
MARTI, José; GUERRA, Jorge, [et al].Programa de formação – Maternidade e Puericultura. Volume 2. Lisboa. Ed. Oceano Liarte.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Extracção e conservação de leite materno

A extracção frequente de leite constitui um estímulo importante para a sua produção. Nalgumas situações torna-se fundamental extrair leite materno, nomeadamente:

- ajudar o bebé a adaptar-se à mama quando esta se encontra cheia;
- para prevenir ou aliviar o ingurgitamento (congestão) mamário;
- para libertar os ductos que se encontram bloqueados;
- alimentar o bebé que apresenta descoordenação ou recusa mamar;
- manter a lactação quando a mãe está doente;
- manter a lactação quando o bebé está doente ou hospitalizado e não pode mamar;
- manter a lactação quando a mãe tomou medicamentos que impedem temporariamente a amamentação;
- iniciar e manter a lactação quando o bebé nasceu prematuro e ainda não consegue mamar;
- quando a mãe tem de se ausentar, viajar ou regressar ao trabalho;

Todas as mães deveriam aprender a retirar o leite, pois a grande maioria irá, mais cedo ou mais tarde, deparar-se com uma das situações mencionadas.

No caso de iniciar a extracção após o parto vai precisar de muita motivação e empenho, uma vez que surgem dificuldades próprias de uma técnica que requer tempo e paciência para a aprendizagem.
De início a quantidade de colostro produzida é pequena e muito dependente do seu estado emocional e da sua motivação. Se estiver muito ansiosa, angustiada ou com muitas dores pode verificar-se um atraso na produção do leite.
No entanto, não existe uma inibição da sua produção, mas sim um atraso, cuja forma de contrariar consiste em extrair frequentemente (8 a 12 vezes por dia). A quantidade de colostro que vai conseguir retirar é pequena mas com o tempo vai aumentar, tal como acontece quando o bebé mama normalmente.

Com que frequência deve tirar leite?
Nos primeiros dias, os bebés mamam entre 8 a 12 vezes por dia. Esta é a quantidade de extracções que deve efectuar para poder ter leite, sendo o número mínimo de 6 vezes.

E de noite?
De início não é absolutamente necessário retirar leite durante a noite, mas assim que começar a produzir uma maior quantidade poderá verificar a ocorrência de ingurgitamento mamário, ficando com os seios volumosos, cheios e dolorosos obrigando-a a uma ou mais sessões nocturnas.

Se o objectivo é aumentar a produção de leite, a extracção nocturna é muito importante e por isso deverá fazê-lo, pelo menos uma vez, a meio da noite.
Mais tarde, quando o aleitamento materno estiver bem estabelecido, se não se sentir desconfortável não é obrigatória a extracção durante a noite. Se se verificar uma diminuição de produção, será mais prudente estimular a produção durante a noite.



Métodos de extracção de leite
O leite materno pode ser extraído manualmente, com bomba manual ou com bomba eléctrica.


Passos a seguir para extrair o leite
Qualquer que seja o método utilizado deve seguir estes passos:
1. Lave bem as mãos;
2. Procure um local sossegado onde esteja confortável e descontraída;
3. Faça uma suave massagem no peito, de forma circular, com a ponta dos dedos, para ajudar o leite a fluir.
4. Estimule suavemente os mamilos rodando-os entre os dedos;
5. As peças da bomba (caso use uma) e o frasco ou biberão onde vai armazenar o leite, devem ser lavados e esterilizados.

Conservação do leite
- no frigorífico (0-4º): 48 horas;
- no congelador (dentro do frigorífico): 1 semana;
- no congelador (independente do frigorífico) ou na arca congeladora: 3 meses.
Se optar por congelar o leite deverá colocar uma etiqueta com o dia e a hora da extracção do leite.
Descongelação do leite
Para descongelar o leite, coloque-o previamente no frigorífico para ir descongelando lentamente. Quando o quiser oferecer ao bebé, coloque o o leite num recipiente em água quente ou debaixo da torneira. Não se recomenda o uso do microondas.
___________________________________ Vânia Coimbra
Bibliografia:
http://www.leitematerno.org/
htpp://www.aleitamentomaterno.com

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Ser Mãe...

"Existem vários tipos de mães, as que cuidam demais, outras que são autoritárias, as calmas, agitadas, aquelas que deixam seus filhos crescerem com mais liberdade... Podemos citar várias mães diferentes, com certeza há muitas mães que agregam diferentes perfis ao mesmo tempo.

Ser mãe, educar, preparar para vida, ajudar na construção do adulto... são tarefas difíceis que geram muitas perguntas...
Será que tenho as características necessárias para ser uma boa mãe para a minha filha
?
Como responderei as perguntas do meu filho?
Será que estou a fazer tudo certo?


Nem sempre as respostas aparecem no momento que deveriam, ou que gostaría
mos, deixando estas interrogações abertas e gerando novas dúvidas e muitas vezes uma grande aflição... mas tenha certeza, não importa qual tipo de mãe você é, qual tipo de filho ou quantos filhos você tem...

enquanto o filho cresce, acreditamos que o ensinamos; mas são os filhos, com as suas dúvidas, os seus sorrisos, as suas decepções, as suas tristezas, a sua felicidade, os seus desejos, que vão ensinando a mulher a ser mãe!...

Portanto não se preocupe em SAB
ER, preocupe-se em ESTAR!

Estar ao lado para ouvir as dúvidas.
Estar ao lado para ver os sorrisos.

Estar ao lado para perceber as decepções, para sentir as tristezas, para vivenciar a felicidade, para descobrir os desejos!

Estar ao lado não é sinónimo de quantidade de tempo junto, mas de QUALIDADE de tempo em que você está junto da sua criança. Mesmo que este tempo seja pequeno, quando estiver com seu filho, ESTEJA COM ELE, para que você possa permitir que o seu filho a ajude a ser sua mãe!"

..... Cristiane Alves de Oliveira

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Ser Pai...

"Ser pai é antes de tudo um direito, deve-se exigi-lo, brigar por ele! Ser pai é saber exercer autoridade.

Autoridade vem do latim augere, que quer dizer: aumentar, desenvolver, fazer crescer. É estar presente, é ter tempo (criar o tempo) para o filho...É saber escutar... se não conhecer, não é possível ajudar. É aprender sempre. Se não aprender, não é possível ensinar...

Estar alerta, estar próximo, acessível...são os primeiros passos...É ser exemplo como caminho para a educação.Pedir ajuda quando não se sabe o caminho, colo quando está cansado, ter em Deus (Nosso Pai) a referência maior, para que se possa amar e ser amigo do filho, e crescer junto com ele...

É quando aceitamos as nossas limitações, as nossas dificuldades e os nossos medos, que nos tornamos mais fortes, porque nos tornamos capazes de lutar pelo que é necessário!...

Vossos filhos não são vossos filhos... São os filhos e as filhas do chamado da vida para si própria. Vêm por vosso intermédio, não de vós. E ainda que convosco estejam, não vos pertencem.

Podeis dar-lhes amor, mas nunca vossos pensamentos, porque eles têm seus próprios pensamentos.

Podeis abraçar os seus corpos, mas não as suas almas, porque as suas almas habitam a mansão do amanhã, a qual não podeis visitar, nem em vossos sonhos.

Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não tenteis fazê-los como vós, pois a vida não caminha para trás e nem se detém no ontem.

Sois os arcos”, por meio dos quais os vossos filhos, quais flechas vivas, são projectados.

O Arqueiro enxerga o alvo no caminho do infinito e empresta-vos a Sua força para que suas flechas possam voar rapidamente e à distância.

Que a vossa tensão, pela mão do Arqueiro, seja para a felicidade; pois assim como Ele ama a flecha que voa, Ama o arco que está estável." Kalil Gibran

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Amamentar é amar!

convido-vos PAI e MÃE a ver este vídeo...
Vamos reflectir nas frases: "Apoio de todos...amamentar é um direito...as dificuldades ficam em segundo lugar..."
Depois trocamos ideias na sessão da amamentação.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Alimentação no 1º ano de vida

A alimentação do bebé inicia-se com leite, idealmente o leite materno que, como é do conhecimento geral, é o alimento mais completo e adequado às necessidades do lactente.

A diversificação alimentar deve iniciar-se entre o 4-6º mês de vida. Constitui um processo lento e cuidadoso, no sentido de facilitar a adaptação do aparelho digestivo do bebé, que é ainda muito imaturo.

A introdução de novos alimentos possibilita ao bebé o contacto com novos sabores, consistências e odores, ajudando-o a desenvolver novas competências e a relacionar-se com o meio envolvente. Não obstante, prepara a criança para se sentar à mesa com a família por volta dos 12 meses, desde que a alimentação familiar seja equilibrada.

A introdução dos novos alimentos pode ser flexível; no entanto, siga as recomendações do médico de família ou do pediatra que acompanha o desenvolvimento do seu bebé.

A partir dos 4 meses é comum iniciar-se uma papa láctea, sem glúten, ao pequeno-almoço ou ao almoço. Poderá iniciar também uma sobremesa de fruta (maçã, pêra ou banana). Evite o uso desmedido de boiões de fruta, uma vez que contêm sacarose, concentrado de sumo de limão, farinha de arroz, entre outros constituintes que conferem um sabor mais apurado, podendo levar o bebé a recusar a fruta natural.

Aos 5 meses:
- 3-4 refeições de leite;
- Uma papa láctea sem glúten;
- Uma sopa de legumes (ao almoço);
- Duas sobremesas de fruta.

A novidade consiste na introdução da sopa de legumes. Poderá preparar a sopa com uma batata pequena, meia cenoura, meia cebola, uma folha de alface e um fio de azeite no final. Introduza um legume novo (abóbora, repolho, bróculos, couve flor, alho francês…) a cada 3-7 dias para dar tempo a que o bebé se adapte aos novos sabores e verificar se ele não faz qualquer tipo de reacção/alergia.

Aos 6 meses:
- leite materno ou adaptado;
- 1 papa láctea com glúten;
- 1 sopa de legumes com carne;
- 2 sobremesas de fruta.

Adicione à sopa de legumes 30g de carne (vitela, borrego, coelho, frango, peru). Na primeira semana, coza a carne e retire-a antes de passar a sopa. Posteriormente passe a carne na sopa.
Á fruta poderá adicionar algumas gotas de sumo de laranja.

Aos 7 meses:
- leite materno ou adaptado;
- 1 papa láctea com glúten;
- 1 sopa de legumes com carne (almoço);
- 1 sopa de legumes com peixe (jantar);
- 2 sobremesas de fruta.

Prefira peixes brancos, como a pescada e o linguado que têm menor quantidade de espinhas.

Aos 8 meses:
Pode iniciar um iogurte natural com 3-4 bolachas Maria ou torrada que pode substituir ou alternar com a papa.
Comece por introduzir a gema de ovo 2-3 vezes por semana.
A sopa de peixe pode ser substituída por farinha de pau.

Após os 12 meses:
Poderá introduzir outro tipo de fruta (pêssego, morangos, kiwi…), leguminosas (feijão, grão…), clara do ovo...

Gradualmente habitue o seu bebé a ingerir a dieta alimentar da família, embora com pouco sal e açúcar.

Estudos recomendam os leites adaptados (leites série 3) até a criança completar os 3 anos de vida, embora o leite de vaca ultrapasteurizado possa ser permitido. Evite o uso de leites de crescimento (são muito açucarados e podem provocar obesidade infantil, cáries dentárias).


Lembre-se que o bebé não está habituado a estes novos sabores e consistências. Tenha paciência durante todo este processo. Ele poderá recusar um alimento quando lhe é oferecido pela 1ª vez e ingeri-lo com satisfação à 2ª ou 3ª vez.

Contribua para o desenvolvimento saudável e harmonioso do seu bebé. Evite a comida enlatada ou em boiões. Não adicione sal ou açúcar aos alimentos.
Ao seguir estas recomendações estará a promover a médio e a longo prazo a saúde do seu filho
.

__________________________________ Vânia Coimbra

Bibliografia:
Direcção Geral da Saúde. Saúde infantil e juvenil – programa tipo de actuação. Orientações técnicas nº 12
www.hevora.min-saude.pt/docs/pediatria/alimentação

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

O brinquedo certo


Encontrar o brinquedo certo para o seu filho é quase um jogo de sorte e de azar. Embora não haja fórmulas científicas que definam qual o melhor brinquedo para dar a uma criança, a verdade é que terá mais hipóteses de acertar se conhecer as diferentes fases de desenvolvimento, bem como as suas capacidades e interesses.

Leia atentamente a idade recomendada de cada brinquedo e verifique se contém a marca CE.

Até aos 3 meses
Nas primeiras semanas a audição encontra-se mais desenvolvida que a visão. O bebé reage à música, mas a acuidade visual é ainda reduzida. Por isso o melhor é optar pelos brinquedos com tons fortes. Com 1 ou 2 meses, com as mãos abertas consegue agarrar e segurar um brinquedo. Aos 3 meses descobre as suas mãos e estas serão o seu brinquedo preferido.

Brinquedos aconselhados para esta idade: Móbil, Roca, Caixa de música, Brinquedo macio.

Dos 3 aos 6 meses
Nesta fase, a criança consegue seguir os objectos. Apercebe-se que se empurrar o brinquedo, este desloca-se. Se está na cadeira já roda a cabeça e o corpo, para olhar em redor e seguir sons.

Brinquedos aconselhados: Roca ou Bola de neve, boneco de borracha que faz barulho, parque de actividades, peluche, anel de dentição.

Dos 6 aos 9 meses
Nesta altura muitos bebés já conseguem manter-se sentados durante algum tempo.
Por volta dos 9 meses, a criança tenta pôr-se de pé, agarrando-se. Consegue apontar e agarrar alguns objectos. É uma boa altura para começar a estimular o seu filho, brincando ao esconde - esconde, escondendo o seu rosto ou os brinquedos para ele procurar.

Brinquedos aconselhados: parque de actividades, bola, brinquedos para empilhar, espelho, brinquedos com rodas.

Dos 9 aos 12 meses
A qualquer momento a criança começa a deslocar-se, gatinhando, arrastando-se ou andando.
Quer começar a comer sozinho e explora tudo o que o rodeia.

Brinquedos aconselhados: Bola, telefone de brincar, puzzles, brinquedos de encaixe, brinquedos para empurrar.

Dos 12 aos 18 meses
Muitas crianças dão os seus primeiros passos mais tarde. Nesta fase o crescimento é mais lento, mas o desenvolvimento mental e da linguagem disparam. A criança já atira os objectos para ver onde caem, pega num lápis e rabisca, suja-se a si próprio a aos objectos. Desenvolve apetência pela experimentação.

Brinquedos aconselhados: lápis e papel, blocos de construção, brinquedos para empurrar e puxar, bancada de ferramentas e cozinha, veículos, instrumentos musicais.

Dos 18 aos 24 meses
A criança anda, fala e pega em tudo o que estiver ao seu alcance. Está cada vez mais activa e quer experimentar tudo.
Nesta altura a criança começa a ter a noção do outro e a juntar palavras com o intuito de construir frases.
Brinquedos aconselhados: Objectos de “faz de conta”, instrumentos musicais, lápis e papel, puzzle, triciclo.

Dos 24 aos 30 meses
Nesta idade a criança já é relativamente independente, embora não consiga fazer tudo o que quer sem ajuda. A linguagem já está mais desenvolvida.
Faz pedidos e começa a compreender alguns conceitos. A memória também se torna mais desenvolvida.

Brinquedos aconselhados: Material de pintura e desenho, roupa, equipamento doméstico em miniatura, brinquedos de construção, puzzles, bola.

Dos 30 aos 36 meses
Por volta dos três anos a criança deixa de levar tudo à boca. Entretanto, as suas capacidades já lhe permitem enveredar por brincadeiras mais complexas.
Nesta fase a criança atingiu um grau de desenvolvimento intelectual e físico que lhe permite andar, correr e saltar com confiança e segurança.

Brinquedos aconselhados: todos os anteriores, mais materiais como o barro, a plasticina, os guaches e as tintas para pintar, o papel para fazer colagens.

__________________________________________ Paula Leite
BIBLIOGRAFIA
DECO, Proteste. Guia da Criança – Alimentação, higiene, segurança. Guias Práticos, Lisboa. Ed. Edideco, 2003

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Obesidade infantil - alerta para os pais (2ª parte)

O que fazer para evitar este problema?

A família desempenha um papel fundamental na prevenção e no combate à obesidade, pois dela advém todo o exemplo de hábitos e estilos de vida saudáveis. Desta forma deve-se:

- Estabelecer horários das refeições para o pequeno-almoço, lanche a meio da manhã, almoço, lanche a meio da tarde, jantar e ceia;

- Retirar ou diminuir significativamente o consumo de alimentos muito calóricos como: bolachas recheadas, bolos, sobremesas, gelados, refrigerantes e alimentos fritos;

- Aumentar a oferta de fruta, legumes, cozidos, sopas, saladas e privilegiar o consumo de água e sumos de fruta naturais, retirando de casa tudo o que é doce;

- Os lanches devem conter uma peça de fruta, um iogurte e uma sanduíche de fiambre e ou queijo;

- Trocar os jogos de computador por uma bicicleta, bola de futebol ou voleibol, e se possível realizar o percurso de casa-escola a pé e sempre acompanhado por um adulto;

- Incentivar a prática de exercício físico, controlando o número de horas gastas em frente à TV, computador e videojogos;
- Não comprar alimentos supérfluos ou pouco saudáveis, como bolicaus, batatas fritas, cereais açucarados, rebuçados, gomas, entre outros;

- Aderir a um estilo de vida saudável, pois fica difícil exigir de uma criança aquilo que ela não tem como exemplo. Alimentação saudável deve ser para toda a família, não só para a criança que já está obesa.

- Procurar a ajuda de um profissional de saúde se achar que o seu filho tem excesso de peso ou já está obeso.

Dicas para os pôr os miúdos a “mexer” em casa:
- Brincadeiras com bolas saltitonas de borracha, balões, raquetes de ping-pong;
- Kits de “bowling” à escala caseira;
- Entre os 2 e 4 anos, deixe-os saltar em cima da cama;
- Luta de almofadas (se não tiverem problemas respiratórios);
- Jogo do “elástico” ;
- Use e abuse da criatividade.

Estes são alguns exemplos de como as crianças podem gastar energia em casa ou ao ar livre.

Quando era miúda, ía para a escola a pé, com a minha mãe ao supermercado, ao talho, ao cabeleireiro, … quantas destas coisas hoje o fazemos como os nossos pais? Como somos mais evoluídos, vamos de carro… nem que seja 200 mts…

Assim como podemos ajudar os nossos filhos?

Já vai sendo tempo de também lhes dispensarmos mais atenção, mais tempo, quer nas tarefas do dia-a-dia, quer na própria alimentação, evitando-se os macdonalds, as pizzas, etc…

TEMOS DE TER MAIS TEMPO…para as crianças, senão artigos como este continuarão a fazer parte da nossa triste actualidade.
___________________________________________________ Paula Leite
BIBLIOGRAFIA
& Revista Crescer com Saúde – “Tratar a Obesidade Infantil é difícil”Texto de ESTEVES, Carla; nº 156; Ano XIII; Maio de 2007, Selecções Impala, pág.58-60.
&
http://www.min-saude.pt/portal
& Jornal Diário de Notícias, “Crianças Obesas dormem pouco e vêm muita TV”, Sábado, 20 de Maio 2006, Lisboa.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Obesidade Infantil – Alerta para os pais -1ª parte

Actualmente, a obesidade infantil é considerada um problema sério de saúde pública no mundo, especialmente nos países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Segundo a OMS, a obesidade infantil afecta uma em cada dez crianças em todo o mundo e Portugal está na vanguarda desta estatística.

De acordo com o American College of Sports Medicine (ACSM), obesidade define-se como “ a quantidade percentual de gordura corporal acima da qual o risco de doença aumenta…”, cujo desenvolvimento sofre influência de vários factores (biológicos, psicológicos, socio-económicos e sócio-comportamentais).

É cada vez mais comum encontrar crianças e adolescentes obesos, com níveis elevados de colesterol, triglicéridos, hipertensão e diabetes que no futuro constituem factores de risco para o coração.


Quais as principais causas?

- Hábitos de vida sedentária, ou seja, falta de exercício e excessivo número de horas passadas em frente ao televisor e ao computador.
É importante lembrar que as crianças sedentárias têm mais probabilidade de se tornarem obesas. A actividade física traz benefícios para a saúde corporal e emocional de qualquer criança.

- Hábitos alimentares inadequados que incluem um consumo exagerado de alimentos ricos em gorduras e com alto valor calórico, como fast food, chocolates, bolos, goluseimas, bem como, um grande consumo de alimentos durante as refeições, de baixa qualidade. A falta de critérios para os horários das refeições constitui também um erro muito comum.


O que se verifica nos dias de hoje é que as crianças e adolescentes ingerem mais energia através da comida do que aquela que gastam. Neste aspecto os pais têm um papel fundamental. Muitas vezes, estes só percebem que a criança está acima do peso considerado normal quando ela já está obesa. Por detrás desta realidade está um misto de tudo: falta de tempo, falta de atenção e uma pitada de protecção excessiva.

- Grande número de células adiposas, adquiridos durante o período de gestação e primeiros anos de vida.
Engordar na infância é mais perigoso do que parece. São nos dois primeiros anos de vida e até aos dez anos que as células adiposas (depósitos de gordura) estão em multiplicação. Isto significa que se a criança é obesa com dois anos, ela tem 50% de probabilidade de se tornar um adulto obeso.

Que consequências?

Emocionais:
- Considerando o alimento como uma forma materializada de afecto, entende-se pelos hábitos alimentares, como a criança e o adolescente se relaciona afectivamente consigo mesma e com os outros. É importante considerar como ela lida com o seu corpo, os cuidados que tem consigo, a forma como expressa as suas emoções. É comum a criança obesa manifestar uma auto estima e auto imagem fragilizadas assim como um sentimento de desvalorização. O alimento acaba por ser um substituto de afecto, conforto e protecção.

Sociais:

- Numa sociedade onde a forma física é mais valorizada do que outras características humanas, os obesos podem facilmente sofrer discriminações, piorando a sua estrutura psíquica de baixa auto estima e confiança.

Pelo facto de não se enquadrar no padrão estético, a criança ou adolescente pode sentir-se inadequado nas suas funções e relacionamento. Essa situação gera mais ansiedade e frustração levando-a a compensar na alimentação, e cria assim um ciclo vicioso de auto desvalorização.

Próximo artigo " o que fazer para evitar/cuidar este problema"
____________________________________________ Paula Leite

terça-feira, 10 de julho de 2007

A importância da brincadeira

Durante o primeiro ano de vida, o bebé é “bombardeado” por múltiplas experiências sensoriais, desde o miar de um gato, o calor do sol, a água a envolver o seu corpo… As sensações acabam por ser interpretadas, organizadas e integradas no seu cérebro, facto que ajudará a criança a desenvolver as suas capacidades motoras, permitindo-lhe movimentar adequadamente o corpo e a desenvolver as capacidades de socialização, de atenção e de estabilidade emocional, entre outras.

De acordo com Wong (1999), o jogo e as brincadeiras na infância revestem-se de inúmeras funções. Vamos falar mais detalhadamente sobre cada uma delas.

Desenvolvimento sensorio-motor
A brincadeira activa é essencial para o desenvolvimento muscular e permite o extravasamento de energia excedente. Além disso, permite à criança explorar-se a si própria e ao mundo que a rodeia através da utilização simultânea dos seus sentidos e movimentos.
Quando brinca com objectos, a criança, toca, atira, chuta, empurra, abana, esconde e recupera… Ao mesmo tempo ouve os sons que os objectos produzem e observa o que lhes sucede, o que lhe possibilita familiarizar-se com o mundo que a rodeia e a ter algum domínio sobre ele.


Desenvolvimento intelectual
Através da exploração e manipulação, a criança aprende as cores, os formatos, os tamanhos, as texturas e o significado dos objectos; desenvolve a compreensão de conceitos abstractos e das relações espaciais.
Os livros, filmes, histórias aumentam o nível de conhecimentos e constituem uma fonte de prazer. Além disso, ajudam a criança a desenvolver a linguagem e a assimilar novas concepções e relacionamentos.



Socialização
A criança revela desde muito cedo o seu interesse e prazer na companhia dos outros. Os contactos iniciais efectuam-se com a mãe/pai; no entanto, através da brincadeira com outras crianças ela aprende a estabelecer relacionamentos sociais, a dar e a receber e, assimila padrões de conduta e comportamento.

Criatividade
A criança pode experimentar as suas ideias e fantasias nas brincadeiras. Não existe outra oportunidade de ser tão criativa como no jogo/brincadeira. Quando a criança sente a satisfação de criar algo novo e diferente, acaba por transferir esse interesse criativo para as situações do mundo real.

Autoconsciência
Com o início das explorações activas do seu corpo e da consciência de si mesma como separada da mãe, o processo de auto-identidade da criança torna-se facilitado através das brincadeiras. A criança aprende quem ela é e torna-se cada vez mais capaz de regular os seus comportamentos e de comparar as suas capacidades com as de outras pessoas. Aprende ainda o efeito que os seus comportamentos têm sobre os outros.

Valor terapêutico
O jogo/brincadeira é terapêutico em qualquer idade. Proporciona uma forma para libertar a tensão e o stress. Na brincadeira, a criança pode expressar as suas emoções e libertar impulsos inaceitáveis de modo socialmente aceitável. Através do jogo a criança é capaz de comunicar as suas necessidades, temores e desejos que, dificilmente conseguiria através da linguagem.
Durante a brincadeira torna-se necessário a presença de um adulto para ajudar a criança a controlar a agressão e para canalizar as suas tendências destrutivas.

Valores Morais
Embora a criança aprenda em casa e na escola os comportamentos considerados correctos e errados, a interacção com os amigos durante os jogos contribui para treinar os seus valores morais. Para integrar um grupo terá que aderir aos padrões desse grupo e a códigos de comportamento como a honestidade, amabilidade, autocontrole, entre outros.


Em suma, os jogos e as brincadeiras são fundamentais para o desenvolvimento harmonioso da criança. Não se esqueça que a criança adora brincar consigo. Por isso, recorde as suas brincadeiras de infância e estabeleça uma relação lúdica com o seu filho.

Serão momentos inesquecíveis para todos! Não se arrependerá!

____________________________________________ Vânia Coimbra

Bibliografia:
BOYER, Anne Knecht. Brincar com o bebé, Lisboa: Edi-Care Editora. 2004
WONG, Donna L. Enfermagem Pediátrica: elementos essenciais à intervenção efectiva, Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan. 1999.