quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Obesidade infantil - alerta para os pais (2ª parte)

O que fazer para evitar este problema?

A família desempenha um papel fundamental na prevenção e no combate à obesidade, pois dela advém todo o exemplo de hábitos e estilos de vida saudáveis. Desta forma deve-se:

- Estabelecer horários das refeições para o pequeno-almoço, lanche a meio da manhã, almoço, lanche a meio da tarde, jantar e ceia;

- Retirar ou diminuir significativamente o consumo de alimentos muito calóricos como: bolachas recheadas, bolos, sobremesas, gelados, refrigerantes e alimentos fritos;

- Aumentar a oferta de fruta, legumes, cozidos, sopas, saladas e privilegiar o consumo de água e sumos de fruta naturais, retirando de casa tudo o que é doce;

- Os lanches devem conter uma peça de fruta, um iogurte e uma sanduíche de fiambre e ou queijo;

- Trocar os jogos de computador por uma bicicleta, bola de futebol ou voleibol, e se possível realizar o percurso de casa-escola a pé e sempre acompanhado por um adulto;

- Incentivar a prática de exercício físico, controlando o número de horas gastas em frente à TV, computador e videojogos;
- Não comprar alimentos supérfluos ou pouco saudáveis, como bolicaus, batatas fritas, cereais açucarados, rebuçados, gomas, entre outros;

- Aderir a um estilo de vida saudável, pois fica difícil exigir de uma criança aquilo que ela não tem como exemplo. Alimentação saudável deve ser para toda a família, não só para a criança que já está obesa.

- Procurar a ajuda de um profissional de saúde se achar que o seu filho tem excesso de peso ou já está obeso.

Dicas para os pôr os miúdos a “mexer” em casa:
- Brincadeiras com bolas saltitonas de borracha, balões, raquetes de ping-pong;
- Kits de “bowling” à escala caseira;
- Entre os 2 e 4 anos, deixe-os saltar em cima da cama;
- Luta de almofadas (se não tiverem problemas respiratórios);
- Jogo do “elástico” ;
- Use e abuse da criatividade.

Estes são alguns exemplos de como as crianças podem gastar energia em casa ou ao ar livre.

Quando era miúda, ía para a escola a pé, com a minha mãe ao supermercado, ao talho, ao cabeleireiro, … quantas destas coisas hoje o fazemos como os nossos pais? Como somos mais evoluídos, vamos de carro… nem que seja 200 mts…

Assim como podemos ajudar os nossos filhos?

Já vai sendo tempo de também lhes dispensarmos mais atenção, mais tempo, quer nas tarefas do dia-a-dia, quer na própria alimentação, evitando-se os macdonalds, as pizzas, etc…

TEMOS DE TER MAIS TEMPO…para as crianças, senão artigos como este continuarão a fazer parte da nossa triste actualidade.
___________________________________________________ Paula Leite
BIBLIOGRAFIA
& Revista Crescer com Saúde – “Tratar a Obesidade Infantil é difícil”Texto de ESTEVES, Carla; nº 156; Ano XIII; Maio de 2007, Selecções Impala, pág.58-60.
&
http://www.min-saude.pt/portal
& Jornal Diário de Notícias, “Crianças Obesas dormem pouco e vêm muita TV”, Sábado, 20 de Maio 2006, Lisboa.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Obesidade Infantil – Alerta para os pais -1ª parte

Actualmente, a obesidade infantil é considerada um problema sério de saúde pública no mundo, especialmente nos países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Segundo a OMS, a obesidade infantil afecta uma em cada dez crianças em todo o mundo e Portugal está na vanguarda desta estatística.

De acordo com o American College of Sports Medicine (ACSM), obesidade define-se como “ a quantidade percentual de gordura corporal acima da qual o risco de doença aumenta…”, cujo desenvolvimento sofre influência de vários factores (biológicos, psicológicos, socio-económicos e sócio-comportamentais).

É cada vez mais comum encontrar crianças e adolescentes obesos, com níveis elevados de colesterol, triglicéridos, hipertensão e diabetes que no futuro constituem factores de risco para o coração.


Quais as principais causas?

- Hábitos de vida sedentária, ou seja, falta de exercício e excessivo número de horas passadas em frente ao televisor e ao computador.
É importante lembrar que as crianças sedentárias têm mais probabilidade de se tornarem obesas. A actividade física traz benefícios para a saúde corporal e emocional de qualquer criança.

- Hábitos alimentares inadequados que incluem um consumo exagerado de alimentos ricos em gorduras e com alto valor calórico, como fast food, chocolates, bolos, goluseimas, bem como, um grande consumo de alimentos durante as refeições, de baixa qualidade. A falta de critérios para os horários das refeições constitui também um erro muito comum.


O que se verifica nos dias de hoje é que as crianças e adolescentes ingerem mais energia através da comida do que aquela que gastam. Neste aspecto os pais têm um papel fundamental. Muitas vezes, estes só percebem que a criança está acima do peso considerado normal quando ela já está obesa. Por detrás desta realidade está um misto de tudo: falta de tempo, falta de atenção e uma pitada de protecção excessiva.

- Grande número de células adiposas, adquiridos durante o período de gestação e primeiros anos de vida.
Engordar na infância é mais perigoso do que parece. São nos dois primeiros anos de vida e até aos dez anos que as células adiposas (depósitos de gordura) estão em multiplicação. Isto significa que se a criança é obesa com dois anos, ela tem 50% de probabilidade de se tornar um adulto obeso.

Que consequências?

Emocionais:
- Considerando o alimento como uma forma materializada de afecto, entende-se pelos hábitos alimentares, como a criança e o adolescente se relaciona afectivamente consigo mesma e com os outros. É importante considerar como ela lida com o seu corpo, os cuidados que tem consigo, a forma como expressa as suas emoções. É comum a criança obesa manifestar uma auto estima e auto imagem fragilizadas assim como um sentimento de desvalorização. O alimento acaba por ser um substituto de afecto, conforto e protecção.

Sociais:

- Numa sociedade onde a forma física é mais valorizada do que outras características humanas, os obesos podem facilmente sofrer discriminações, piorando a sua estrutura psíquica de baixa auto estima e confiança.

Pelo facto de não se enquadrar no padrão estético, a criança ou adolescente pode sentir-se inadequado nas suas funções e relacionamento. Essa situação gera mais ansiedade e frustração levando-a a compensar na alimentação, e cria assim um ciclo vicioso de auto desvalorização.

Próximo artigo " o que fazer para evitar/cuidar este problema"
____________________________________________ Paula Leite

terça-feira, 10 de julho de 2007

A importância da brincadeira

Durante o primeiro ano de vida, o bebé é “bombardeado” por múltiplas experiências sensoriais, desde o miar de um gato, o calor do sol, a água a envolver o seu corpo… As sensações acabam por ser interpretadas, organizadas e integradas no seu cérebro, facto que ajudará a criança a desenvolver as suas capacidades motoras, permitindo-lhe movimentar adequadamente o corpo e a desenvolver as capacidades de socialização, de atenção e de estabilidade emocional, entre outras.

De acordo com Wong (1999), o jogo e as brincadeiras na infância revestem-se de inúmeras funções. Vamos falar mais detalhadamente sobre cada uma delas.

Desenvolvimento sensorio-motor
A brincadeira activa é essencial para o desenvolvimento muscular e permite o extravasamento de energia excedente. Além disso, permite à criança explorar-se a si própria e ao mundo que a rodeia através da utilização simultânea dos seus sentidos e movimentos.
Quando brinca com objectos, a criança, toca, atira, chuta, empurra, abana, esconde e recupera… Ao mesmo tempo ouve os sons que os objectos produzem e observa o que lhes sucede, o que lhe possibilita familiarizar-se com o mundo que a rodeia e a ter algum domínio sobre ele.


Desenvolvimento intelectual
Através da exploração e manipulação, a criança aprende as cores, os formatos, os tamanhos, as texturas e o significado dos objectos; desenvolve a compreensão de conceitos abstractos e das relações espaciais.
Os livros, filmes, histórias aumentam o nível de conhecimentos e constituem uma fonte de prazer. Além disso, ajudam a criança a desenvolver a linguagem e a assimilar novas concepções e relacionamentos.



Socialização
A criança revela desde muito cedo o seu interesse e prazer na companhia dos outros. Os contactos iniciais efectuam-se com a mãe/pai; no entanto, através da brincadeira com outras crianças ela aprende a estabelecer relacionamentos sociais, a dar e a receber e, assimila padrões de conduta e comportamento.

Criatividade
A criança pode experimentar as suas ideias e fantasias nas brincadeiras. Não existe outra oportunidade de ser tão criativa como no jogo/brincadeira. Quando a criança sente a satisfação de criar algo novo e diferente, acaba por transferir esse interesse criativo para as situações do mundo real.

Autoconsciência
Com o início das explorações activas do seu corpo e da consciência de si mesma como separada da mãe, o processo de auto-identidade da criança torna-se facilitado através das brincadeiras. A criança aprende quem ela é e torna-se cada vez mais capaz de regular os seus comportamentos e de comparar as suas capacidades com as de outras pessoas. Aprende ainda o efeito que os seus comportamentos têm sobre os outros.

Valor terapêutico
O jogo/brincadeira é terapêutico em qualquer idade. Proporciona uma forma para libertar a tensão e o stress. Na brincadeira, a criança pode expressar as suas emoções e libertar impulsos inaceitáveis de modo socialmente aceitável. Através do jogo a criança é capaz de comunicar as suas necessidades, temores e desejos que, dificilmente conseguiria através da linguagem.
Durante a brincadeira torna-se necessário a presença de um adulto para ajudar a criança a controlar a agressão e para canalizar as suas tendências destrutivas.

Valores Morais
Embora a criança aprenda em casa e na escola os comportamentos considerados correctos e errados, a interacção com os amigos durante os jogos contribui para treinar os seus valores morais. Para integrar um grupo terá que aderir aos padrões desse grupo e a códigos de comportamento como a honestidade, amabilidade, autocontrole, entre outros.


Em suma, os jogos e as brincadeiras são fundamentais para o desenvolvimento harmonioso da criança. Não se esqueça que a criança adora brincar consigo. Por isso, recorde as suas brincadeiras de infância e estabeleça uma relação lúdica com o seu filho.

Serão momentos inesquecíveis para todos! Não se arrependerá!

____________________________________________ Vânia Coimbra

Bibliografia:
BOYER, Anne Knecht. Brincar com o bebé, Lisboa: Edi-Care Editora. 2004
WONG, Donna L. Enfermagem Pediátrica: elementos essenciais à intervenção efectiva, Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan. 1999.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Vem aí o calor: cuide das suas crianças


Com as crianças todos os cuidados são poucos. Quando exposta ao sol, a sua pele delicada está sujeita a riscos acrescidos. As queimaduras solares sofridas na infância aumentam consideravelmente o risco de vir a sofrer de cancro de pele na idade adulta.

Existem alguns cuidados gerais a ter com as crianças e que devem merecer uma especial atenção por parte dos pais. Se tem filhos, tente cumprir as recomendações que se seguem:

- Evitar a exposição solar entre as 11-16:30 horas (a incidência dos raios solares é mais intensa), quer seja na praia, na piscina, no campo ou na cidade;
- A exposição solar deve ser gradual;
- Proteger as crianças com roupa clara, de algodão;
- Comprar um protector solar adequado ao tipo de pele da criança, com factor de protecção elevado e aplicá-lo meia hora antes da exposição;
- Renovar a aplicação do protector solar de duas em duas horas;
- Renovar a aplicação do protector solar após o banho (quando se toma um banho no mar ou na piscina naturalmente friccionamos a toalha no corpo para retirar a areia ou secar a pele e acaba por remover o creme);
- Usar chapéu;
- Aumentar a ingestão de líquidos (preferencialmente água e sumos naturais) para evitar a desidratação;
- Não utilizar perfumes (contêm substâncias sensibilizantes que podem provocar reacções alérgicas);
- Evitar a permanência de crianças em viaturas estacionadas ao sol.
-Crianças com menos de um ano de idade não devem apanhar sol directamente, daí que se desaconselhe a ida à praia, ou então, se recomende a permanência de períodos muito curtos na praia ou na piscina.
Isso não significa que não possa desfrutar do período de Verão. Dê um passeio à beira-mar, fora das horas de maior calor, coloque o seu bebé num carrinho, protegido com sombrinha e vá até uma esplanada ou caminhe um pouco...

Escolha do protector solar

O protector solar deve ser escolhido de acordo com o tipo de pele de cada criança. As peles claras e ruivas exigem um índice de protecção solar mais elevado. No entanto, com as crianças todos os cuidados são poucos. Se a criança é de tenra idade é preferível optar por índices mais elevados (40-50). Se a criança tiver mais idade, escolha um protector solar com um factor de protecção no mínimo de 25.

Além disso, deve verificar se o protector solar protege contra as radiações ultra-violetas A e B (UVA e UVB). De forma genérica, as radiações UVA causam bronzeado e envelhecimento precoce da pele; as radiações UVB provocam queimaduras solares.

Leitura do índice de protecção solar

A pele, quando exposta ao sol, demora um determinado tempo a ficar vermelha. Quando usa um protector solar com um índice de protecção solar 15, significa que a pele vai ficar 15 vezes mais tempo que o normal para ficar vermelha. Por isso, tenha atenção: se a pele do seu filho ficar vermelha com a utilização do protector solar escolhido, significa que terá que optar por um protector solar com índice superior, ou então, diminuir os intervalos entre cada aplicação ou talvez reduzir a permanência ao sol.

Desfrute desta época do ano...Divirta-se com o seu filho... Dê-lhe carinho e atenção...
Mas não se esqueça que...

... proteger o seu filho do sol e do calor é um dos investimentos que pode fazer para o seu futuro saudável. Assim como o veste convenientemente e limita o tempo no exterior quando está frio, faça o mesmo quando está calor!

_________________________________Vânia Coimbra

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Crescer com saúde


Ter um filho implica muita disponibilidade e dedicação. É um “dar-se” constante...mas, também se recebe muito em troca!
As dificuldades, as dúvidas surgem a cada passo... é preciso ser vigilantes, estar atentos ao crescimento do nossos bebé, aos sinais que ele nos transmite.

Um dia apercebemo-nos que o bebé cresceu. Como está grande! Apesar disso, continua a precisar dos nossos cuidados, do nosso carinho, da nossa atenção.

O plano Nacional de Saúde 2004/2010 aponta metas prioritárias para “crescer com segurança”. Para atingir estas metas, torna-se urgente desenvolver um conjunto de actividades, em várias áreas, num esforço concertado entre profissionais de saúde, pais e educadores.

Sendo os pais os primeiros e principais educadores da criança, compete-lhes a tarefa de a educar para a saúde, com vista a adquirir hábitos e estilos de vida saudáveis e comportamentos seguros.

Com este espaço, pretendemos ajudar os pais a concretizar esta tarefa difícil, mas aliciante.

Parta à descoberta, dê sugestões, partilhe as suas experiências, coloque as suas duvidas... neste espaço dedicado aos pais e educadores.
Contamos consigo!